domingo, 8 de setembro de 2013

Toda fragilidade incide

- Se eu tivesse um dinheiro sobrando, contrataria o Djavan pra tocar lá em Saquarema no aniversário do meu pai. Ele sempre disse que se tivesse muito dinheiro faria isso. Hahahaha.
- Ah, mas nem é assim tão caro um show do Djavan.
- Beleza... Não é tão caro quanto o AC/DC, mas ainda assim não é um dinheiro que tenho sobrando, né cara?
- Pô, Carol... Teu pai tem esse dinheiro. Se ele quisesse mesmo, contratava.
- Ah, nem deve lembrar mais. Por isso seria ainda mais legal. Ele falou isso numa época em que a gente só comia arroz, feijão e ovo todo dia. E eu tô falando de ter o dinheiro sobrando. Não de ter o dinheiro simplesmente!
- Ah, porra... Se eu tivesse esse dinheiro sobrando eu não contratava o Djavan pra tocar, eu comprava o Djavan.
- ...
- E ainda mandava ele lavar a louça. Cantando "Um dia triste..."

sábado, 7 de setembro de 2013

Ihi Passiko

Às vezes noto que um ou outro texto que escrevo aqui é mau interpretado e tomado como agressão pessoal por egos mais reluzentes. Estranha escolha essa a de se manter distante murmurando frases feitas quando se tem a disponibilidade de chamar para uma conversa agora mesmo. Também é muito estranha essa escolha diante de todas as minhas tentativas de aproximação. É estranho ir no mais fundo da intimidade de alguém, mas não querer se aprofundar intimamente, fugir feito bicho do mato. E ainda querer apontar contradição. Não tem contradição alguma, talvez tenham sido vocês que não entenderam os muitos lados de determinada questão. Uma das características do que chamo verdade é o paradoxo, pense nisso.

Vir até aqui para tentar saber de mim e me conhecer, quando basta digitar algumas letras do meu endereço de e-mail ou alguns números para me ligar e, de fato, me conhecer e experimentar cara a cara? Do que é que vocês têm medo? Alguma vez os recebi com estupidez gratuita? Alguma vez os deixei sem explicação? Alguma vez fui até o seu espaço invadí-lo com alguma tentativa ególatra de aparecer ou ditar? Enfim, é cada louco com a sua mania, eu por exemplo detesto coisas e pessoas "a banda mais bonita da cidade", mas algumas manias realmente não consigo entender. E, é atravez dessas atitudes que se nota mesmo o quanto as pessoas que mais falam em desapego e na oposição inteligência x julgamento são as mais apegadas e fazem juízo de tudo. Rotulam, debocham e ironizam, baseando-se em conclusões tomadas a partir de palavras, não de vivência. E ainda, são os primeiros a levantarem em protesto quando a eles se aponta apenas os fatos e o que eles provocaram. O pior tipo sempre é aquele que acha que sabe. Não tem como encher uma caneca cheia.

Se eu disser que mentiu e tiver mentido e me chateado, isso é uma observação de um fato, não um julgamento. Se eu disser que meu interesse foi ignorado, mas meu repúdio recebe toda atenção porque existe uma apego enorme ao ego, isso é um fato, não um julgamento. Se eu enumerar o descaso, a auto-preservação covarde e a desonestidade em atos e palavras, isso são fatos, não julgamentos. Se eu disser que correu de uma conversa séria e tiver corrido, isso é um fato, não um julgamento. E contra fatos não há argumentos. Estou pouco me fodendo em me esforçar para parecer alguma coisa como ser "inteligente", "artistica", "filosófica", "politizada", "espiritualizada". Quem se esforça é porque precisa fazer esforço. Gosta de seguir regrinhas para a vida e com isso só mostra o quanto não entende nem as frases feitas que repete. Só mostra que vive na coleira dizendo que os outros são doentes enquanto pensa que é muito livre. Fora que, se vocês se sentem agredidos diretamente, saibam: ninguém agride sem estar ferido. Talvez, para mim, com um ou outro, ainda não tenha surgido uma oportunidade de esclarecimento. Mas, se eu me importar de verdade, essa oportunidade virá, só que talvez isso dependa mais de você, porque certamente eu já tentei. Então, beatle juice, beatle juice, beatle juice! Apareça!

Amigos, muitas são as coisas que me acontecem, muitas são as situações a que me submeto, muitos sãos os pensamentos que me arrebatam, os problemas que enfrento, muitos sãos os meus interesses e atividades. E, principalmente, muitas são as pessoas que povoam o meu universo caórdico. Algumas até já estão mortas, outras só existem porque eu as criei. Então, não caiam na besteira de tomar para si o que escrevo. Se eu quiser lhes dizer alguma coisa, estejam certos de que direi em particular e abertamente, assim que encontrar a melhor oportunidade. 

Esse blog foi aberto porque fechei o outro. Aquele já não servia mais, se você procurar pelo texto inaugural deste aqui entenderá melhor. Reservo este espaço para anotar e editar algumas de minhas idéias. Aqui fica organizado, consigo acessar de qualquer lugar e ainda tenho o bonus de receber complementos, críticas e troca de idéias... Não é um diário, talvez um baú, um mural. E por mais nua que eu esteja ao expor uma opinião, não caiam na besteira de achar que me conhecem. Eu não me conheço! Imaginem só vocês. É muita ingenuidade acreditar que pode conhecer toda a complexidade de alguém através de palavras. Opiniões mudam, pensamentos são nuvens no céu, palavras vão com o vento... Além disso, com alguns, a gente se relaciona melhor quando está longe, outros quando estão perto. O mesmo vale para se relacionar pior. Tem gente que odeio quando está longe, mas adoro quando convivo. E isso só confirma o lance que já escrevi sobre conhecer através de palavras.

Não foi uma, nem duas vezes, que alguém veio dizer que deu uma passada aqui, mas não comentou para não incomodar outra pessoa, ou já começou a conversa achando que sabe como sou, ou o que penso, ou que leu, não entendeu nada e saiu tendo conclusões sobre o que não entende mesmo assim. Parem de palhaçada e fofoquinha. Não, vocês não sabem. Não, vocês não conhecem. Se não entenderam, então não fiquem por aí frustrados, mimizando comentários irônicos sem o menor fundamento e com a sensação de terem sido atingidos por uma flecha que não foi disparada em sua direção. Parem de vestir carapuças que não foram feitas para vocês. Parem com essa mania de ler livros e tomar as experiências de outras pessoas como se fossem suas. Parem com os preconceitos que vocês mesmos repudiam. Parem de tentar parecer coisas... Forçar uma visão artística, filosófica e poética de tudo para parecerem especiais... Vocês são muito mais legais e amados pelo que são de verdade. Quando não fazem esforço e são naturais. Falem e façam o que quiserem, mas sob a ótica de sua própria autoridade! Sejam sinceros! 

Amigos, o universo não gira em torno de seus umbigos e, se não perceberam ainda, esse blog gira apenas em torno do meu! São minhas indéias sobre minhas próprias experiências. Publico o que quero, do jeito que quero, quando quero, se eu quiser. Não escrevo para vocês. Não aqui! Querendo contribuir com um pensamento, com uma piada, com uma discordância, há espaço logo aqui embaixo, na caixa de e-mail, nas mensagens do Facebook e na minha caixa de mensagens do celular, no Whatsapp. Se eu tiver algum problema com qualquer um de vocês eu deixarei isso muito claro assim que possível. Se vocês tiverem algum problema comigo, entrem em contato. Se não tiverem os meus contatos, então não têm intimidade suficiente para terem problemas comigo. Entendam isso! São e sempre foram todos muito bem vindos. Não escrevo pela exposição, publico virtualmente desde 2005 e nem mesmo divulgo ou incentivo a leitura deste blog. Não escrevo para atacar, nem para me defender, se tenho algum problema com alguém, procuro primeiramente a pessoa. No mais, o problema é todo meu e eu escrevo sobre ele, não sobre VOCÊ. Não escrevo para condenar, não acredito em coisas estáticas e fixas, em certo e errado. Não escrevo para fechar o assunto. Escrevo para provocar. Escrevo para pensar. Escrevo para entender.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Like a Pro

Nos tempos em que eu ainda não tinha minha própria banda e estava começando a ser convidada para tocar com futuros amigos, conheci um certo editor, de uma certa revista de rock e heavy metal bastante popular. Estava sempre presente nos ensaios da Statik Majik, da qual fiz parte enquanto a banda se propunha a levar um som que contava com pianos, órgãos e efeitos de sintetizador. Era bem diferente do power metal que fazem agora, com aquele vocalista sensacional que arranjaram, mas me agradava mais. Não sou fã de metal fanático. E, bom, cada subgênero do heavy metal é tão diferente do outro que quando ouço um "ah, mas é apenas um subgênero", já sei que a pessoa gosta de falar sem conhecer e nem discuto. Enfim, fui levada pela corrrente de Ár e me desviei do que ia dizer... 

O tal editor, estava noivo. E, não sei o que acontece com os noivos, casados, mais velhos e comprometidos, mas eles sempre me adoraram. Devo causar a mesma sensação que as brechas na caixa causam às galinhas que conseguem escapar do caminhão que as levam para o abate. Não sei. Tenho esse tipo de assunto tão bem resolvido e refletido na minha cabeça... Já nem sei mais qual é a sensação de manter uma coleira voluntária no pescoço. Vez ou outra até, amigos prestes a assinar contrato, me chamam para ouvir os meus pontos, querem conselhos e opiniões, uma outra visão sobre o assunto. Imagino que é porque uma vozinha lá no fundo de suas cabeças esteja gritando que tem algo de muito errado com essa decisão e, sabendo que vejo um outro lado, me procuram. Entretanto, cada um age segundo sua vontade. No fim das contas, ninguém sabe de nada. Mas, aprendi a não levar esses contratos a sério, pois nem mesmo quem assina leva. Peço apenas que, por uma questão de bom senso, resolvam o caso em suas cabeças, no mínimo amadureçam, conversem com suas sócias... Não me usem, não me exponham, não hajam com reservas comigo, não fiquem tentando se preservar, assumam-se! E que tudo seja claro e limpo. Tenho bons ouvidos, rio à toa, me interesso profundamente quando me interesso, me mostro disponível e acolhedora, sou amiga e jovial. E sei bem o efeito desses detalhes na mente masculina. Porém, o caso citado ocorreu numa época em que o meu pensamento a respeito de relacionamentos afetivos era ainda muito imaturo, fantasioso, irreal. Esse mesmo pensamento que ronda o senso comum e ataca quase a totalidade das pessoas do mundo. 

Sim, já disse mil vezes que tenho sorte, esses noivos, comprometidos, casados, mais velhos e afins, trouxeram isso de bom. Pois, uma vez ou outra, acabaram sendo correspondidos em suas intenções e isso me fez pensar. Mas, não era o caso do editor. Além de horrorizada com aquele seu anel, ele estava longe de conseguir atender as minhas demandas. E, enfim, a corrente de Ár outra vez me levou para longe, mas fato é que fui convidada a estampar a seção de "metaleira gata do mês" daquela revista. 

Pu-ta-que-o-pa-riu! 

Eu era adolescente e para algumas meninas, mesmo as mais velhas, isso poderia até parecer lisonjeiro, mas me ofendeu profundamente. Por todas as razões que passarem em suas cabeças e todo o contexto. Sempre levei as bandas muito à sério, mais do que devia, em certos caso, até. Lidava com desconhecidos o tempo todo, em meio aos entra-e-sai dos estúdios, numa época em que poucas meninas tocavam e compunham em bandas. Em qualquer coisa que eu me proponha a fazer dou 100%, assumo a responsabilidade, visto a camisa e mantenho meus compromissos. Ali eu não era, de jeito algum, a "metaleira gata do mês", se é que poderia ser em algum outro lugar, eu era uma tecladista, uma musicista, antes de qualquer coisa. E sequer dava muita atenção aos papinhos pré e pós ensaio. Estava o tempo todo calçando botas masculinas escondidas pelas calças de capitão do exército, que pertenceram ao pai do meu pai, de onde pendia uma longa corrente presa às chaves de casa e blusas que deixavam apenas aparente um pedacinho da minha barriga quando fazia calor. Meus cabelos extra longos geralmente escondiam o meu rosto enquanto levava num ombro o meu humilde E-56 da Roland e no outro a estante desmontada. Que raiva, cara. Mas a elegância e presença de espírito do meu Sol sempre me salvou nessas situações. E sem interromper a desmontagem do equipamento, do alto dos meus 14 anos e 1,60m, apenas respondi: "Não vou, não, cara... Mas, a boa notícia pra quem quer me ver de biquini é que pretendo me tornar escritora um dia. E compositora." E naquele silêncio constrangedor de caras desentendidas complementei: "Não sei vocês, mas pra mim, perto de quem escreve e compõe, sair semi nua numa revista de circulação nacional é coisa de amadora."

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Sobre Ironia e Cansaço

Lá está ele, olhos irônicos e cansados brilhando na escuridão, mantendo sua distância segura. Não leva, nem larga. Fica, mas de longe. Chega perto apenas quando já não aguenta mais, quando a fome transborda e começa a elouquecer, quando imagina ter sido esquecido, feito parte da paisagem, quando acredita ter ficado tempo suficiente para nem mesmo ser mais notado, quando tudo parece mais fácil. Mas, de longe, imóvel, ele planeja meticulosamente a abordagem. O que acontece raramente, defensivamente, resistentemente, medrosamente, covardemente, no escuro, na tocaia. Seu vício é o controle. Ai! Posso imaginar a sua dor... Arrancando as próprias unhas, pesando em sua espinha e revirando o estômago como liquidificador. E por isso a fome sempre é grande, louca e voraz. No escuro ele contém sua dor, evita comer. Rejeita, antes que seja rejeitado. Foi isso o que aprendeu. Essa foi sua conclusão cansada. Teme sua própria sombra: a defesa, a resistência, o medo, a covardia, o escuro e a tocaia. Ele precisa controlar! Precisa ser o caçador, mas ainda é jovem demais. Não aprendeu o principal. Quem não arrisca nada, arrisca tudo. Um dia precisa ser o da caça para que o dia do caçador venha em êxtase. A caça só é boa quando o risco existe. Justamente o que ele procura evitar. Sem risco, sem jogo. Sem dor, sem ganho. Sem luta, sem glória. Sem guerra, sem heróis. E essa é a sua maior fraqueza, a fonte de sua agonia. Em agonia ele planeja, calcula e sente as dores do receio correndo em seu sangue frio. Cada passo é planejado, cada piscar de olhos... Ele empina o nariz para o alto, não enxerga muito bem, mas fareja e assim julga, diferencia, agrupa, divide, separa osso de carne em cada piscar de olhos, em cada movimento e em seus julgamentos a língua roça os dentes uma idéia que não foi sua: julgar não é inteligente. Ora, ora, mais essa agora! Isso é o que chamo de ironia. Então, resolve atacar, apenas quando a cabeça espreitada está mais baixa que a sua, apenas quando a ele se estende uma mão. Aí sim! Aí morde, rosna, arranha, finca suas garras, lambuza com sua saliva venenosa e sai correndo para a escuridão, outra vez. Mas continua ali. Sempre ali.  Rondando, à espreita, esperando ouvir qualquer gemido, qualquer sussurro, qualquer grito de dor. Pois está nisso a sua satisfação. Nunca pretende saciar a fome, ele gosta de ser assim, faminto. Foi o que entendeu quando ouviu um galo cantar sobre o vazio e a sabedoria de se esvaziar. Teme a aproximação, pois há sempre o risco de sair ferido, ou de nunca mais conseguir fugir. Assim, se contenta. Vendo a ferida que causou, engana suas próprias dores. Para ele, basta saber que feriu, que conseguiu submeter e controlar. É esse o seu jogo. É esse o seu prazer. E é isso o que chamo de cansaço. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

E volta o cão arrependido...

Tomando carona no assunto do período, não precisa passar muito tempo neste mundo para notar que há padrões de eventos e que o movimento de contrair e descontrair faz parte de qualquer coisa que se pode dizer viva. Nosso coração, nossos pulmões, nosso sexo, o mar, as plantas, a terra, as galáxias...Tudo segue se contraindo e se expandindo eternamente... se movendo num enorme círculo e a própria idéia desta figura contém o conceito da perfeição. Perfazer: fazer perfeito, circular. Enfim, o que é vivo, é verdadeiro, morre e nasce constantemente. Mas, se é verdadeiro, está ali, não desaparece. Apenas dá espaço a outras coisas, apenas vira uma curva e deixa de ser visto. E sempre retorna. Como aqueles problemas que você nunca resolve na sua cabeça. Ou aqueles fanáticos que não te deixam em paz. Ou até mesmo aquelas características sinceras que todos temos. Por isso, essa vontade louca de verbalizar, de falar e escrever, tão típica da tríplice de Ar, pode até dar espaço para o silêncio, de vez em quando, mas isso é só para voltar depois com as idéias mais claras, a língua mais afiada e a mira mais certeira.