Cada uma das instituições são criadas, em última instância, para justificar o conceito de posse, de qualquer tipo, e a concepção de posse é a maior das ilusões humanas. Verdade é o que se é, mentira é o que se tem.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Vida Barroca
O que vejo agora? Um nada misturado com nada dando em nada. Nenhum esforço, nenhum movimento, nenhuma tentativa, em vão. Mas tudo muito complicado, o tal barroquismo que ascende para o nada sugerido por Lobão.
domingo, 1 de julho de 2012
Ok, não é uma desculpa.
A ausência diminui as pequenas paixões e aumenta as grandes, da mesma forma como o vento apaga as velas e atiça as fogueiras.
(François La Rochefoucauld)
Faca Sem Fio
Em algumas vezes eu sumo, em outras finjo, tem vezes que durmo, só me distraio ou é um coma passageiro, mas há dias em que morro. Ninguém nota. Não, todo mundo pensa que eu ali de volta sou a mesma (que geralmente pensam conhecer muito bem). Só porque tenho a mesma cara ou a mesma voz. É, gente, não é só um vírus zumbi que pode mudar definitivamente alguém. Muito mais coisas entre o céu e a terra podem provocar um renascimento e nem é só a interrupção de nossas funções vitais. Sim, porque para nascer de novo, morrer torna-se essencial. Enfim, tanto aconteceu nesse curto período de ausência - entre banda banida, novas séries de TV em que me viciei, greve que ainda não acabou, trabalhos ainda não entregues, proposta irrecusável adiada, noites solitárias e muitas fases de Baldur's Gate vencidas - que nem pretendo atualizar a memória. O que passou já era. Deixa assim. Mas se pelo lado óbvio muita coisa mudou, a minha pouca paciência para lidar com gente permaneceu. E já desisti de tentar me fazer entender, explicar, argumentar. É uma faca sem fio a sinceridade: mais sangra do que corta. Se a minha ironia e meu tom passam direto, quem sou eu para me esforçar em mostrar o quanto podem, por acaso, ser um primor?
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Boa sujeita não sou
Do meu primeiro ano de vida até os seis viajei todo verão para conhecer o nordeste com os meus avós. Íamos de carro, por isso, entre as poucas coisas que haviam para passar o tempo durante o cansativo trajeto estavam as minhas fitas do Balão Mágico e Trem da Alegria. Também haviam as fitas de músicos de blues e jazz do meu avô e algumas das mais temidas fitas de samba da minha avó. Nós revezávamos e foi assim que aprendi a esperar pela minha vez, a respeitar a vez dos outros. Foi assim que começaram minhas aulas de música, com meu avô dizendo para eu identificar os instrumentos no meio da massa sonora e para responder qual instrumento estava tocando. Era divertido até. Mas a vez da minha avó era a parte mais sofrida da viagem. Nada de jogo de perguntas, nada de cantar junto, nem lições, só aqueles lamentos sofridos das letras de samba. Uma das fitas se chamava Festa no Céu, onde estavam reunidos vários representantes da velha guarda sambista e na capa haviam desenhos de suas figuras entre nuvens. Eu achava aquilo tão mórbido e tão chato, que levei anos para aprender a apreciar o que há de bom nesse estilo. E mesmo assim, o trauma nunca foi superado completamente: ainda não sou muito boa da cabeça e meu pé também não é dos melhores.
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