quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Casa Assombrada

Depois de crescer numa casa amaldiçoada
Por tristeza, raiva, gente magoada
Sem nenhuma das fundações bem enterradas
Com punhos fechados e bocas cerradas.

Meus monstros nunca estiveram em armários
Sequer escondiam-se, reinavam autoritários
Jamais esgueiraram-se por debaixo das camas
Habitavam a sala, a cozinha, olhos, palavras em chamas.

Vigiando pela manhã enquanto eu ia para a escola
Assustando quem vinha trazer atenção como esmola
Esperando a noite, enquanto voltava da rua
Aguardam até hoje que algo me destrua.

Como sentir qualquer vestígio de segurança
Amor, paz, ou manter a esperança
Acreditar, conseguir força e confiança
Se apenas sobrevivo desde criança?

Sempre correndo, ansiosa, atribulada
Em cada etapa, cinicamente abandonada
Com a vida inteira amaldiçoada
Depois de crescer numa casa assombrada.

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