quinta-feira, 22 de junho de 2023

Canecas cheias

Em interações prolongadas com a maioria das pessoas, amigas ou não, pouco importa, sinto meus olhos e meus ouvidos se cansarem, desligarem depois de um tempo... Vai desligando tudo, até que eu desista completamente delas. Talvez, eu devesse ser honesta e simplesmente agir de forma ríspida, cortá-las, pedir licença e me retirar, ou só ir embora e nunca mais voltar, sei lá. Foi assim em todas as vezes que alguém já tinha passado de limites demais para merecer minha presença. Mas, não é o normal. Geralmente, sou gentil, faço que estou concordando e entendendo tudo. E, isso só torna as coisas piores, pois o que o fdp precisa para existir é da boa educação e pacificidade dos demais. Eu sei disso! Por que então, fico nessa de não querer chatear ninguém? Com certeza, é a falha que me leva à maioria das confusões da minha vida! Com a intenção de ser legal, gente boa, sinto meu espírito dissolver, meu tempo escapar... Em torno de mim surge uma armadura e já não vejo, não ouço, não penso, nem sinto. Escuto qualquer coisa dita por último e respondo com aquelas frases coringas que, na verdade, só servem para manter acesa a fogueira verborrágica, tagarela e desinteressante daqueles que são autocentrados demais para nem notarem minha ausência.

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Maya

Despedidas são, para mim, sempre muito doloridas. Mesmo as pequenas, que serão por pouco tempo. Mesmo com pessoas que mal conheço, ou me relaciono de modo puramente profissional. Afinal, se é uma despedida, é porque algo de significativo foi criado, envolve gratidão, do contrário seria livramento. Por isso, evito sempre que possível. Mas, às vezes me encontro no meio da situação e não há escapatória. Então, me refugio no mais simples, onde a verdade costuma residir: quando uma porta se fecha, posso simplesmente ir lá e abri-la outra vez. Não é assim que portas funcionam? No mais, nenhuma despedida é real, nada está parado e não existe lado de fora, importante lembrar.

sábado, 3 de junho de 2023

De bem X do Bem

Estranho como ultimamente não vejo mais ninguém publicando foto de sacolas de supermercado e mostrando quanto gastou na compra. Os preços baixaram? Cadê os índices de desmatamento da Amazônia, o abandono dos indígenas? Tudo isso melhorou? E a reforma agrária, cadê o projeto? Mulheres no poder? O que aconteceu? Às vezes apenas imagino o investimento de tempo em textos quilométricos, ironia, comentários nervosos, os ataques a todos que pensam de outra forma, se os atores estivessem em papéis diferentes. Porque certamente estariam fazendo as mesmas idiotices, cometendo os mesmos erros... Mas aí seria fascismo. Enfim, não vou fazer a mesma coisa e ficar tripudiando. Não tenho problema com discordâncias. O lance mesmo são as atitudes e só. Porque pra mim é tudo ruim. Igualmente? Não. Mas, ruim. Não tem essa de lado certo, posicionamento virtuoso... blábláblá consciência do escambau... A maior burrada é se desfazer das pessoas simplesmente por discordarem. Você apenas perde aliados, momentos agradáveis com pessoas queridas. Enquanto os fdps continuam milionários, vivendo como se nada estivesse acontecendo. Você perde, eles continuam ganhando, porque quem está no comando é apenas uma única e enorme quadrilha que se une para nos roubar.