quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Bom dia, Vietnã.

Eu sabia que 2023 teria 365 dias. Mas, não sabia que seriam todos em janeiro. Sei nem por onde começar. Mal consigo me concentrar para trabalhar, porque apesar de tudo a prancheta felizmente continua cheia, mas, no momento sequer consigo enxergar também as letras do teclado. Preciso tomar cuidado para não molhar tudo aqui inclusive... Não choro a toa, no entanto, há dias não consigo parar. Nem dormir, ou comer. Fico muito nervosa o tempo todo, as mãos tremendo, conferindo minhas caixas de mensagens de 1 em 1 minuto... e sendo arrebatada por alguns sentimentos que estou procurando evitar, mas tem sido muito difícil. Estou com muito medo. Queria poder fazer algo, mas... não sei o que fazer...

Feliz Ano Novo!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

De gratidão e merecimento

Já fui até outra cidade para encontrar alguém que eu queria muito conhecer. Já saí de casa com pressão baixa, precisando parar e sentar pelo caminho até o destino, porque não deixaria passar a oportunidade de estar com alguém que me importava. Já me despedi da única pessoa que eu podia contar, certamente uma das que eu mais gostei na vida toda, quando percebi que as coisas estavam pesadas demais pra ele e ele jamais faria isso por si mesmo. Já vomitei de nervosismo depois de um conversa necessária que eu evitaria, se isso não significasse sacrificar a liberdade de outra pessoa. Já esperei quieta em silêncio, segurando a ansiedade bravamente, quando minha vontade era dizer um monte de coisas, perguntar, tentar entender... por respeitar o direito do outro de falar só quando achasse que devia. Já passei por lugares perigosos, fiquei na chuva, aguentei o sono e a fome só para conseguir ver alguém, não estragar o momento, ou para resolver uma questão. Já gastei quando não podia, só para ganhar um sorriso. Já arrisquei minha segurança, meu conforto e a minha paz, por ingenuamente acreditar que resolveria problemas que existem há décadas e que não dão o menor sinal de melhora. Já fiz malabarismos com o meu tempo para deixar todo mundo feliz. Já dediquei tempo, energia, atenção... focando em encontrar soluções e trazer um pouco de esperança a quem se considera incapaz de encontrar uma saída. Já escrevi poemas, músicas, pensamentos como esses aqui... Já pintei e imaginei mundos, histórias... Tudo para não ir perturbar a paz ou impedir a liberdade de alguém. Já ouvi gente falando por horas sobre coisas que não me interessam, só porque não queria interromper a felicidade e o auto entretenimento. Já tentei entender sobre assuntos que não me empolgam em absoluto, pra participar, ajudar, conhecer... Já deixei coisas extremamente importantes em segundo plano, para fazer surpresa de aniversário. Já evitei devolver gentileza logo depois de recebê-la, pois eu mesma não valorizo muito quando me retribuem por pura educação, não vejo coração nisso ou verdade e prefiro ver. Já procurei pensar numa forma, num jeito mais claro de explicar, de conciliar, de apaziguar, de convencer, de mostrar o quanto me importo, o que sinto, a forma como vejo... Para não haver mal entendidos, ruídos na comunicação, idéias equivocadas sobre como lidar comigo. Já deixei de lado muito do que eu queria, pela felicidade alheia. Já aguentei comportamentos que não admiro, situações desnecessárias, falta de maturidade... com o pensamento focado em encontrar uma forma de mostrar caminhos melhores, na chance de conseguir resolver os problemas, as dificuldades. Preferi não ler, não ver, ignorar agressões, ataques pessoais, chilique, falta de noção, brincadeiras babacas, criancices, para evitar constrangimentos  ou por procurar entender que nem todos receberam educação e nem tudo é de fato como parece. Já relevei muitos absurdos. Já aguentei firme quando tudo parecia desabar... Já cheguei ao fundo do poço. Já desisti da vida. Já pedi desculpas. Já mandei a real. Já recomecei muitas vezes. 

Por isso, a essa altura da vida, existem coisas que me dou ao luxo de não fazer: aceitar ordens, chantagens ou tentativas de me controlar, cercar, obrigar ou manipular, não impor limites diante de falta de respeito, discutir com gente desequilibrada que não está enxergando nem ouvindo, permitir ataques à minha liberdade, aceitar cobranças. E contrariar isso é a fórmula para me desanimar seja com o que for.

Se faço o que faço é por minha própria conta e risco. O sofrimento é meu e a alegria também. Se algo de bom resulta do meu esforço, sinto uma gratidão profunda. Pois, quando as coisas acontecem como quero não é porque mereço, é porque eu saí da minha zona de conforto e fiz acontecer. Fiz por merecer. Não devo nada e ninguém me deve. 

domingo, 22 de janeiro de 2023

Canção do Aquário Num Copo D'água


É lógico que essa foi a canção mais atrasada da roda... Mas, vamos lá, que também é lógico que o papo aqui é longo.

Indo direto na premissa, a sociedade, a cultura, a religião, a educação... tudo isso é uma conspiração contra as crianças. Monstros e moinhos... Todos agem de forma a garantir que você, desde o princípio, seja desencorajado a ser o que deveria, por natureza. Nada mais fácil. A criança é indefesa, está aberta, é dependente. Então, o que quer que queiram fazer dela, conseguem. Todos os esforços visam a torná-la útil a seus interesses. E se deixarem-na crescer livremente, como poderão ter certeza de que isso acontecerá? Assim, começa a sua jornada, por um caminho que não é o seu.

Você nem tem a oportunidade de sentir falta da sua alma roubada. Antes que perceba, a retiram de você e te dão uma falsa identidade como substituta. Mas essa substituta só serve dentro do grupo que lhe deu a falsa identidade. Basta ficar sozinho por um tempo, que a máscara vai derretendo e o real, reprimido como uma fera acorrentada, começa a se desprender. Daí vem o seu grande medo de ficar  sozinho. Então começa a procura por grupos: família, amigos, casamento, time, escola, partido, religião, ideologia, qualquer ocupação que a Miss Doloway possa arranjar... A assistência precisa ser recebida 24 horas, porque aquilo que é falso não se sustenta sem apoio.

Quando estamos sozinhos começamos a nos sentir um pouco loucos, um pouco estranhos, deslocados. Tantos anos acreditando conhecer-se muito bem, e então, num belo momento de solidão, a pessoa que você pensava ser ganha um ar de falsidade. A consciência da ilusão fica forte no silêncio, e um medo crescente, uma dúvida, uma estranha crise se instala. E nunca se sabe explicar muito bem por quê... Talvez, depois de anos de depressão o verdadeiro você se expresse, depois de enfrentada o que dentro do ocultismo chamamos de "a  noite escura da alma", o limbo, onde não se sabe quem é, onde você não é nem o verdadeiro, nem mais o falso.

Pela meditação, esse ato de se estar conscientemente sozinho, em silêncio, esperando até que o real se firme, é possível encurtar um pouco o caminho do falso para o real. Pois, a meditação não é uma ação que a sua personagem toma, é um ato de espera. Meditar é esperar tranquilamente até que a realidade se manifeste tal como é. Não é ação, é relaxamento, e faz muito bem. Ajuda a voltar ao centro, a atravessar a noite escura, pois qualquer coisa que se faça, virá da falsa personalidade. É um velho hábito. Hábitos custam a morrer. Tantos anos vestindo uma falsa personalidade, imposta por pessoas que você ama, confia e respeita... que até têm as melhores intenções, mas falta a elas discernimento... pais, amigos, professores, sacerdotes, políticos... Até mesmo boas intenções nas mãos de pessoas inconscientes viram veneno. Por isso, o medo da solidão é tão profundo. Porque, de repente, o falso começa a desaparecer. E o novo leva um tempinho para se firmar, você o perdeu de vista há tanto tempo. 

Surge o medo de estar se perdendo, perdendo o senso, a sanidade, a mente, tudo... Pois a falsa personalidade dada a você é feita de todas essas coisas, é como se fosse ficar louco. Imediatamente você começa a fazer algo só para se ocupar. Se não há ninguém por perto, pelo menos tem que haver alguma ação, assim o falso fica ocupado e não começa a desaparecer. Por isso, as pessoas acham mais difícil no domingo. Durante cinco dias elas trabalham, esperando que no final de semana possam relaxar. No sábado rola toda aquela agitação, mas então chega o domingo e é o pior momento da semana. É o dia em que acontecem mais acidentes, mais gente se suicida, há mais assassinatos, mais roubos, mais estupros. Estranho... em cinco dias as pessoas ficam ocupadas e não há tantos problemas. Mas, no fim de semana, tiveram uma chance, ou para fazer outra coisa ou para relaxar. E de repente, relaxar é aterrorizante, pois a personalidade falsa desaparece. 

Então todo mundo fica ocupado, fazendo qualquer coisa idiota. As pessoas correm para a praia, pegam um congestionamento de quilômetros, e se você perguntar a elas onde estão indo, vão dizer que estão querendo "fugir do tumulto da cidade". Mas, o tumulto todo está indo com elas! Querem ir para um lugar silencioso, distante de tudo e todos... Todas ao mesmo tempo! Caramba, se tivessem ficado em casa, teriam mais silêncio e solidão, pois todos os idiotas teriam saído em busca de um lugar distante. E como correm feito loucos! Porque dois dias terminam rápido, eles têm que chegar! Só não pergunte onde. 

Na praia as pessoas ficam amontoadas, nem um supermercado fica tão lotado. E, o que é estranhíssimo: as pessoas se sentem muito à vontade, sob aquele sol somaliano. Dez mil pessoas numa pequena praia tomando sol, relaxando. A mesma pessoa na mesma praia, se estivesse sozinha, não conseguiria relaxar. Mas ela sabe que milhares de pessoas estarão relaxando junto dela. As mesmas pessoas estavam no escritório, as mesmas pessoas estavam nas ruas, as mesmas pessoas estavam no supermercado, agora as mesmas pessoas estão na praia. A multidão é essencial para que o falso exista. Pois, no momento em que ele está sozinho, começa a enfraquecer. É por isso que é bom entender um pouquinho de meditação. Para que o falso desapareça. Não faz sentido se agarrar a isso. Não é seu, não é você. Você é aquele que fica quando o falso se vai. Ninguém mais pode responder à pergunta "Quem sou eu?". Nem você pode. Mas, desse modo você ao menos saberá a resposta. 

Todas as técnicas de meditação servem para ajudar a destruir o falso. Elas não dão a você o real, o real não é algo que se dê. Aquilo que pode ser dado não pode ser real. O real você já tem, só o falso tem de ser eliminado. Assim como um Mestre de verdade, a meditação tira de você coisas que na verdade você não tem, e isso dá espaço para o que é seu se manifeste. Meditação é só a coragem de ficar em silêncio e sozinho. Devagar, muito devagar, você começa a sentir uma nova qualidade em si mesmo, uma nova vivacidade, uma nova beleza, uma nova inteligência, que não é emprestada de ninguém. Ela vai crescendo dentro de você, tem raízes na sua existência. E, se você não for covarde, ela fluirá e florescerá. 

Só os bravos, os corajosos, as pessoas de fibra podem ser espiritualizadas. A multidão sempre procura consolidar cada vez mais a falsa identidade. Você nasceu, veio para este mundo com vida, com consciência, com uma grande sensibilidade. Basta olhar uma criança pequena. Tudo isso tem sido encoberto por uma falsa personalidade. Não é preciso medo. Você só pode perder aquilo que tem de ser perdido. E é bom que perca logo pois, quanto mais tempo permanece, mais forte isso fica. E não se sabe o dia de amanhã.

Isso é riqueza e sucesso: viver de acordo com esse ser autêntico e morrer de acordo com ele. Pois, a vida é eterna e a morte é uma ficção. Que você não morra antes de resgatar sua autenticidade. 


quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Precisam se tratar!

A banda Shaman acabou de novo. Não que vá me fazer alguma falta, mas é um bom pretexto para dizer: é lamentável ver pessoas que excluem, ofendem, brigam, atacam e subestimam, amigos, familiares, colegas e até desconhecidos (não sei o que é pior) por discordarem delas. É ridículo. Todo mundo patrulhando todo mundo, odiando, enraivecido, achando que tem razão, passando vergonha, ninguém se ouve, nem a si nem ao outro, e só defendem o que lhes convém... "Ai, porque eu li...", "Não porque eu estudei...", "Ai, eu me informei...". Amigo, se você não consegue nem falar mais sem cuspir ou se exaltar, se não é capaz mais de usar garfo e faca para comer, sem começar com agressãozinha pessoal, está provado que o que você "sabe" não serve para nada de bom. Precisa reconhecer, tá na hora de iniciar aquela terapia há tanto tempo adiada... ir caçar uma trouxa de roupa pra lavar... varrer um chão, sei lá... porque isso é falta de propósito, falta do que fazer mesmo. A vida continua igual, com ou sem as opiniões de cada um. Mas, fazem questão desse drama. E por que? Opiniões! Quem se interessa por essa merda? 

Sério, melhorem.

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Enfim, fim.

O ano mal começa e já sinto o sabor agridoce de um ciclo que se encerra pela metade. Mas, exceto por uma dor de cabeça que já dura três dias, sinto algum alívio também. E, mais uma vez, algo na minha vida se mostra infalível: quando eu rezo, acontece. Embora esse conceito, "final", seja papo furado, sempre passo por situações de finalizações mirando o horizonte, confiante momento a momento e com a certeza de que no próximo minuto, tudo pode mudar. Meu caminho e minha busca continuam, mas mudam de direção como em muitas outras vezes. Sem novidade por aqui. Despedidas são sempre melancólicas, por isso me recuso a cada uma delas, mas recomeços trazem renovação e precisam ser encarados com esperança, força e coragem. Porque a única constante é a mudança e não saber o que virá é a coisa mais maravilhosa sobre existir.