Onde estávamos antes de nascer? Não é um mistério? No entanto, algo se pode dizer com o mínimo grau de certeza: onde quer que estivéssemos, estávamos sozinhos. A solidão parece ser a condição da existência. Mesmo se você for gêmeo, como eu fui, estava lá sozinho em sua própria perspectiva. E assim estamos todos, cada um dentro do grão de areia de seu ponto de vista. Olhamos para fora e vemos um universo infinito, povoado com seres, vivos e inanimados, em maior quantidade do que podemos compreender, nos perguntando todos "o que que tá acontecendo?". E fica mais estranho. Se olhamos para fora por tempo suficiente, tudo isso parece estar aí para tornar a própria noção de quantidade contraditória. Pois, quantidade demanda separação e depois que a noção de ausência, de vazio, é superada, todas as coisas parecem simplesmente figura e fundo, uma unidade pictórica. Onde nem mesmo a superfície, a tela sem molduras, é separada. Não existe lado de fora, a não ser da concepção de "si mesmo". E isso é precondição para a existência do vazio. O vazio existe apenas dentro de nós, em nossa solidão, em nosso solitário ponto de vista. E apenas, no vazio, na solidão, algo é capaz de nascer.
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