Em raros momentos há uma compaixão... Por nada em específico. Pela humanidade como um todo, talvez. A ilusão é interessante... com todos os seus pequenos detalhes, mecanismos e ornamentos... tão real.
Na maior parte do tempo há uma imprecisão... Uma dúvida... Controle tendendo a zero. As coisas acontecem aos poucos. E isso pode ser uma alívio. Um dia de cada vez para cuidar do seu castelo real. O sol nasce a cada manhã... Mas pode ser muito angustiante também. Uma prisão de pedra de onde se vê muito pouco. Onde há pouca mobilidade. No isolamento, você conta os dias e o sol se arrasta pelo céu através das horas...
Depende de onde você está.
E tem os momentos cruéis. Há muito para defender na fortaleza que você levanta com tanto cuidado, tanto trabalho, todos os dias um pouquinho... São muitas as tentativas, às vezes ocorre a invasão. Algo interfere no seu mundo que sozinho já apresenta suas dificuldades. De um jeito ou de outro você se machuca. E aí há uma revolta. Você está lá dormindo, geralmente é assim, e então a ilusão te tritura, mastiga e engole. Se você não acorda, ela te fragmenta, dilacera e reduz a pó.
Há momentos tão estranhos... Fica muito óbvio que tem alguém tentando dizer alguma coisa e a sua audição simplesmente não dá conta. Você se sente impotente depois de tanto acreditar ter algum controle de dentro da sua torre de comando. Como pode? Parece impossível, mas até mesmo no seu sono, onde tudo é moldado por você, ocorre o saque e o pega desprevenido, há dor...
Tudo leva a crer, portanto, que acordar não é o calor e a luz do sol da manhã, onde há clareza e conforto. Acordar é uma tempestade de raios e vendaval devastando a fortaleza que você construiu para se proteger do mundo, te derrubando no chão de cabeça. De onde você pode levantar e por fim caminhar firme contra o vento e em liberdade, transcender a dúvida, a angústia, a crueldade, a estranheza e a compaixão. Ou reconstruir tudo de novo com mais cautela, mais reforços, mais isolamento. Tanto faz acordar agora ou só daqui a cinco minutinhos. A questão é que da segunda hipótese surgirão mais duas alternativas: esperar por outra tempestade ou dar o salto por conta própria.
A queda é inevitável, a coragem é opcional.
A queda é inevitável, a coragem é opcional.
And as we wind on down the road
Our shadows taller than our souls
There walks a lady we all know
Who shines white light and wants to show
How everything still turns to gold
And if you listen very hard
The tune will come to you, at last
When all are one and one is all, yeah
To be a rock and not to roll.
(Stairway to Heaven - Led Zeppelin)
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