É tudo tão bom quando está tudo bem. Explodo ainda, claro... Disse que está tudo bem, não que mudei de personalidade, oras! Mas nesse caso, é em campo aberto, a explosão não destrói, cria. O fogo não queima, só aquece e ilumina. Há quanto tempo não me sinto assim? Até mesmo minhas idéias estão mais brilhantes, sonoras e visuais... menos verbais, menos analíticas, menos tensas... Estou, por exemplo, sem palavras diante dessa tela. E isso é novidade. Sempre tenho tudo na ponta da língua... Mas, me obrigo a escrever. Não quero deixar passar os melhores momentos em branco. Assim parece até que sei apenas ser séria e triste com as palavras. Isso não é verdade. Está de dia, as horas são mais bem humoradas, claras e pode ser que eu precise da lembrança desta paz quando for noite outra vez. Então venho, depois de uma longa noite escura, só para registrar um retrato feliz. De paz, de silêncio e de luz. Agora o próprio título e a razão de ser deste espaço aqui volta a fazer mais sentido. Pensei primeiramente em deixar de vez em quando alguns textos curtinhos, sobre coisas que penso, que fossem bons por um minuto e neste último ano não poderia ter sido mais prolixa e confidente. Não era essa a intensão inicial, mas... A confiança enfim retorna e caminho com um pouco mais de otimismo e até entusiamo. É bom quando o fogo pode queimar livremente e a água escorrer tanto quanto desejar... Bom quando o vento rola sem aparos e o terreno respira sem sufoco. É bom quando tudo é luminoso e suave. A Primavera foi boa... Aprendi tantas coisas. Enterrei, não sem ajuda, um pedaço do céu carregado que tolamente guardei e sustentei sozinha durante o ano. Sem lápide. Sem epitáfio. Sem lágrimas. E recebo agora de volta todas as bênçãos dedicadas ao fogo de Belenos, tudo o que aquele entrave me impedia de ver. Era um pedaço do céu onde eu não podia brilhar. O pedido a Eu foi atendido, meus olhos e ouvidos bem atentos foram recompensados e meu coração se abriu como uma flor para essa existência outra vez. Eu sabia que aquela gaita era um bom agouro... Passei uns dias longe de casa, nas montanhas... Dias de luz, calma e silêncio... Recupero uma direção, um caminho, uma força... Volto a ver as estrelas bem de perto... Há muito trabalho a ser feito e o bom é que quero fazê-lo. Eu quero! São grandes e boas as possibilidades. O talvez nunca foi tão bem vindo... As reticências aparecem aos montes, a respiração está calma, o sorriso sereno, o sono com poucos sonhos e as palavras escassas. Pois, a tristeza tende à eloquência, mas a verdadeira alegria é silenciosa. E o segredo dos segredos é que eles são mais poderosos quando só nós sabemos sobre ele.
2 comentários:
O silencio grita...
Sim! Igual a uma criança pulando de Pogobol na chuva! \o/
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