quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Canção da Cabra Montanhesa

O medo é a base de qualquer cativeiro e consequentemente de qualquer forma de exploração. É com medo que deixamos de viver como queremos e somos mantidos em correntes sociais, profissionais, afetivas, religiosas... Medo do inferno, ou seja, culpa. Mas, a partir do momento em que se percebe que não há ninguém para nos castigar ou recompensar, que tudo isso são convenções, que o céu e o inferno estão dentro da nossa cabeça e somos nós que os criamos, uma certa liberdade começa a ser sentida e a culpa vira besteira. Com alegria e paz, criamos o céu e podemos compartilhá-lo. Só podemos dar o que temos. E quando damos, aquilo volta em três níveis: físico, emocional e espiritual. Pois, a existência é um imenso espelho. Ao sorrir, a existência sorri de volta, ao berrar e insultar a existência berra e insulta. Somos nós a causa e o efeito. A existência não é boa ou má, ela simplesmente é. E devolve para nós a nossa falta e a nossa abundância... Até mesmo os castigos e as recompensas são criações nossa. Nós mesmos escondemos os doces e brincamos de procurá-los. Tem gente que chama isso tudo de prova, teste... Tem quem acredite em deuses e entidades que nos usam para cumprir propósitos... Há a crença generalizada na realidade imediata e prática da vida cotidiana com suas complexidades sociais e todas as suas instituições. Mas, acredito que tudo isso seja apenas histórias para criança. Não acho que de forma alguma estamos aqui por razões compreensíveis, muito menos estamos sendo testados ou observados. E tentar entender a complexidade do universo com as limitações do nosso cérebro é o mesmo que tentar pegar o oceano com uma caneca. Se alguém observa, somos nós. Se temos um propósito, ele é só nosso e nós é quem criamos culturas e instituições. Vestimos as fantasias e subimos no palco. Levar isso tão a sério é no mínimo ingenuidade. Nós damos poder ao que desejamos dar e se isso nos cria dificuldades também nos faz crescer e aprender. Pois, somos livres, mas liberdade não quer dizer irresponsabilidade. É justamente em liberdade que somos completamente responsáveis. Ninguém mais é responsável por nós. Somos problema nosso. Nenhum deus está cuidando, nenhum anjo da guarda, nenhum pai... E essa é a canção da cabra lá em cima na montanha, de pé, equilibrada em inclinações inacreditáveis: as dificuldades são questões de perspectiva. Se está difícil, por que isso deveria significar que não vale um esforço? Além disso, pode haver outras formas, outros caminhos para se chegar onde deseja, por que seguir necessariamente por esse? Se está fácil, qual é o poder que torna tudo simples? O poder (problema) é todo seu.

2 comentários:

Sergio disse...

Capricornos!

George disse...

Os mais sensatos.