sábado, 30 de novembro de 2013

Numa noite dessas no piano...

"And when your fears subside 
And shadows still remain 
I know that you can love me 
When there's no one left to blame. 
So never mind the darkness 
We still can find a way 
'Cause nothin' lasts forever 
Even cold November rain."
(November Rain - GNR)

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Carta 1 do Tarot

"Ouvi uma piada uma vez: Um homem vai ao médico, diz que está deprimido. Diz que a vida parece dura e cruel. Conta que se sente só num mundo ameaçador onde o que se anuncia é vago e incerto. O médico diz: 'O tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade, assista ao espetáculo. Isso deve animá-lo.' O homem se desfaz em lágrimas. E diz: 'Mas, doutor... Eu sou o Pagliacci.' Boa piada. Todo mundo ri. Rufam os tambores. Desce o pano."

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Naquele dia...

...houveram lágrimas, mas também houveram aplausos e muita risada. Houveram estrelas e também chuva. Minha performance nunca foi tão boa, principalmente para um público tão próximo. Raro eu dizer que gostei de algo que tenha feito, né? Mas, gostei e as razões são várias e óbvias. O turbilhão de sentimentos foi um facilitador. Nunca antes havia sido tão precisa em andamento, ritmo, dinâmica, pianos e pianissimos, fortes e fortissimos. O afeto tem dessas coisas. Faz a gente saber exatamente o que quer, traz a consciência precisa do que se deve fazer. Não pensei, apenas toquei. Cheguei naquele ponto de me fundir de tal maneira com a música que nós deixamos de ser duas coisas separadas. Eu não era a pianista ali, era a própria ação de tocar o piano. Não era aquela que toca, mas a própria música. E numa delas, em especial, foi ainda mais simples, pois essa música sou eu.

Sim. O tempo fechou e o pedaço do céu que eu guardei neste dia está nublado. O som da chuva ao fundo saiu de brinde. 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Eu ou você?


O que você decide ver sempre, sempre, SEMPRE, faz toda a diferença. E enquanto não se consegue enxergar a si mesmo muito bem, com sinceridade, sem reservas, não será possível enxergar mais ninguém. Fato. Além disso, as atitudes só servem pra mostrar por que as palavras servem para muito pouco. Então, é bastante estranho achar que pode sair concluindo coisas, inclusive o significado do que se diz e faz, a coerência ou a falta dela, a partir de uma distância. Sem o mínimo de empatia e proximidade. Com a muralha do ego enoooooorme obstruindo completamente a visão do outro lado e, especialmente, o ouvido. Fica pior quando não falamos de humanos de sangue quente e sim daqueles cujo sangue de suas veias vem da vida dos outros: os vampiros. E, se um vampiro não consegue ver a si mesmo no espelho, ver a pessoa que é, ou já foi antes de seu coração parar e sua pele gelar, será que consegue ver algo mais no outro além de um saco de carne, ossos e sangue? Será que consegue ouvir, perceber, sentir o quanto cada pessoa é especial, única, diferente e não substitui nenhuma outra? Será que consegue ver a luz de cada um? Reconhecer sua qualidade estelar? Ou vê a todos igualmente como presa, meros personagens a serem usados para manter a farsa que é a sua "vida"? Será que aparece sorrateiramente, jamais revelando sua real condição, por outra razão que não seja a fome apertando? Se é um vampiro, o que mais se pode esperar que não seja ter sua energia, seu tempo e sua vida sugados? E, é bom confirmar, será que é um vampiro mesmo? Ou só uma criatura que ainda não sabe direito o que é, e por isso precisa se apegar a regras, definições, controle e tradições? Para classificar algo como contraditório é preciso primeiro entendê-lo. Como concluir com tanta convicção se, por puro preconceito de gênero, falta de sinceridade e vontade de estar certo acima de vontade de estar em paz, tudo parece muito "codificado" e igual? É mais cômodo pensar que o problema não somos nós, certamente, e os vampiros estão aí, o tempo todo, loucos para nos convencer do contrário. Para nos fazer sentir desmerecedores de qualquer coisa boa, infelizes, angustiados, culpados, miseráveis, desqualificados... Principalmente se não damos, de boa vontade, aquilo que desejam de nós: sangue, energia, atenção e disponibilidade. E esperar que eles se enxerguem só tornará o seu coração pesado. São vampiros! Não têm vida própria, não se vêem no espelho e assim buscam outras pessoas, onde por fim acabam vendo a si mesmos, mas jamais reconhecerão isso. Não têm tempo para você, a menos que a eles se ofereça o pescoço. E só reagem  aos estímulos negativos, pois os positivos não passam de sua obrigação oferecer. Eles estão por toda parte e são a mais perfeita definição de adolescentes mimados e reativos, que precisam parecer poderosos e desejados, que não se importam com os sentimentos dos meros mortais, que buscam lógica e justificativa em vez de compreensão. Querem a leveza e a despreocupação, porque isso lhes facilita o ataque e a dominação, mas são um peso na vida de qualquer pessoa, estando elas conscientes do fato ou não. Não se interessam pela verdade de ninguém e envelhecem, mas não crescem nunca. Portanto, contraditório é esperar afeto, atitudes maduras, clareza e honestidade, de qualquer um deles.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Simples



Gente Diferente

Aham... Diferente, né? Passou uns 17 anos na escola, fez curso de inglês, arte marcial, talvez algum esporte com bola, natação... entrou na faculdade, arranjou emprego, fez pós, se casou, teve filhos e agora almoça com a família todo domingo. Por que "família é tudo.". Sim, inclusive o tribunal que define e avalia seus objetivos, aprovando-os ou não. Importante é agradar o pai e a mãe. Chega em casa do trabalho tão cansado que mal consegue pensar em qualquer coisa boa e logo vai dormir, porque precisa acordar cedo pro trabalho. Corta o cabelo como todo mundo, usa as roupas de todo mundo e até os acessórios e adornos de todo mundo. Tem os mesmos gostos "diferentes" de todo mundo, as mesmas referências intelectualóides e o mesmo discurso analítico, armado e aprofundado de todo mundo. Quer títulos e mais títulos, chegar ao que todos dizem ser o topo do status. Mas, você nem dá tanta importância a essas coisas... Imagina... Nunca tem tempo pra nada que não seja compromisso. Profissional, financeiro, afetivo, fraternal, familiar... Compromisso é seu segundo nome. As contas chegam, os dias passam... O relacionamento "monogâmico" é um fardo tão grande que precisa de mais de duas pessoas para sustentar. Usa quem estiver pelo caminho e descarta no momento seguinte à satisfação. O coração e o sexo são aquela maravilha. Vive uma vida de mentiras. Mas, enquanto houver rede social, será possível se enganar postando fotos de sorrisos e viagens, e todos esses check-in de felicidade, como se tudo fosse muito perfeito e linear. Sonhou em ser astro do rock. Não funcionou, porque, né, deve existir uma fórmula misteriosa para o sucesso. Então é isso, rumo à aposentadoria. Parabéns. Diferentão você.

domingo, 10 de novembro de 2013

Nevermore

"Ah, que ninguém me dê piedosas intenções, 
Ninguém me peça definições! 
Ninguém me diga: "vem por aqui"! 
A minha vida é um vendaval que se soltou, 
É uma onda que se alevantou, 
É um átomo a mais que se animou... 
Não sei por onde vou, 
Não sei para onde vou 
Sei que não vou por aí!"

(Cântico Negro - José Régio)

Um Pedaço do Céu

Hoje haveria comemoração, música, sorrisos, palavras e beijos... Seria bonito. Mas, a menos que um milagre aconteça e o Xangô de Baroness Street apareça, o que duvido, a Terra retorna de sua volta completa em torno do Sol para dizer que não. Então, não há tanto pelo que celebrar, exceto o crescimento que minhas lágrimas trouxeram, exceto os olhos mais abertos. No entanto, seja como for, só posso me sentir muito grata pela dor que não foi capaz de me matar ainda e pelos sorrisos que também apareceram durante esse tempo estranho. Não haverá festa mas, ao menos, tenho agora o pedaço do céu que eu guardei.   

Caçador de Sonhos

“Normally, in anything I do, I'm fairly miserable. I do it, and I get grumpy because there is a huge, vast gulf, this aching disparity, between the platonic ideal of the project that was living in my head, and the small, sad, wizened, shaking, squeaking thing that I actually produce.” 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Portas

Dizem que quando uma porta se fecha, outra abre. Aconteceu tantas vezes para mim que jamais poderia duvidar disso. Mas, por maior trabalho que dê, estou cansada de ver portas se fechando, de fechá-las, de abandonar. Por todos os motivos possíveis, isso já aconteceu demais e me trouxe até à encruzilhada onde me encontro agora. Já abri tanta porta que me trouxe problemas. Tantas delas me fizeram chorar, é verdade. Mas cada uma tornou minha consciência mais forte. Seguir a diante não deveria significar, necessariamente, subtração. Tomei para mim um conselho que Keith Richard deu a Slash quando este lhe contou sobre sua situação em seus últimos dias de GNR. Keith disse apenas "Há uma coisa que você não deve fazer, que é sair.". Como todos sabem, Slash acabou não seguindo estas palavras, achou que não valia mais passar por aquilo tudo afinal, só para manter uma banda... "Mantive isso comigo enquanto foi humanamente possível, mas eu estava tentando fazer um acordo com alguém que não estava dando a mínima". Ninguém pode julgá-lo, há momentos assim na vida de todo mundo, não é inteligente nem saudável dar murro em ponta de faca e só ele pode decidir o que deseja ou não suportar. "Não havia nada que você pudesse fazer.", Keith o consolou no fim das contas. Pois, nem sempre manter é o mais indicado. Coisas velhas precisam ser destruídas, de vez em quando, e dar espaço para a próxima etapa. Não se vai muito longe indo e voltando aos mesmos lugares. Mas, também não se vai muito longe indo sempre para a frente. Percebo que a soma tem me trazido dificuldades novas, crescimento, então dou um pouco mais de atenção a ela agora. E isso tem me levado ao óbvio: quando uma porta se fecha, outra abre, sim. Mas, se uma porta se fecha, posso muito bem ir até lá e abri-la outra vez. Afinal, não é assim que as portas funcionam?

"Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito."
(William Blake)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Transmutando chumbo em ouro

Tenho em casa um estúdio de gravação quase completo. Às vezes dá até para gravar voz, quando está muito quieta a rua, mas o forte dele é que dá pra fazer quase tudo eletronicamente. Entre gastos com cursos no IATEC, na UNESA, livros, instrumentos, equipamentos e softwares, já se vão quase duas décadas de construção. E ainda não está pronto. Há meses está desmontado. Porque agora cismei que ele, além de ser meu, em casa, precisa também ser bonito. Uma librianisse que só os outros três companheiros cardinais: áries, câncer e capricórnio, conseguem entender. E é sempre muito bom ser compreendida, ser estimulada... Compartilhar e somar... Assim, o que posso chamar de "meu" também podem os meus amigos. Não sem a ajuda deles vou conseguindo seguir à diante nos meu planos, inclusive neste. Pois, alguns braços, pernas, corações, mentes e sorrisos fortes foram e continuam sendo fundamentais. "Life is a journey, not a destination", o que importa é o que acontece no meio. E por mais que a gente nasça e morra sozinho, esteja dentro do nosso próprio centro sozinho, ninguém realmente vive sozinho. Eu, menos ainda... Não gosto de ter hora pra ir embora, de seguir comandos, de ser manipulada, de ciúmes, de regras ou roteiros, de muito de uma coisa só, de promessas, de falta de espaço e tempo, nem de coisas escondidas, indiretas, situações pouco claras. Sou capaz de iniciar a Terceira Guerra Mundial só para resgatar a paz que essas coisas me tiram. Meu amor ou meu ódio são, sempre que a comunicação é possível, guerras declaradas. Mas, fato é que acabam sendo exatamente essas mesmas coisas que me movem e estimulam a minha imaginação, embora isso nem sempre tenha bons resultados. Júpiter, o grande parceiro e Saturno, o grande demônio assim, juntos logo no ascendente, já deixam bem claro que para mim simplicidade também pode ser uma coisa complicada. E estão lá também, Mercúrio e Plutão pra tornar a jornada pelo Caminho do Meio ainda mais sinuosa. Mas, vai, isso não me torna alguém desastrosamente impossível de se lidar. Exagero e me perco até de mim, é verdade, mas, olha só, não acho difícil nem enxergar, nem admitir, nem mudar de atitude. Três coisas que substituem muito bem qualquer desculpa que eu possa arranjar, qualquer argumento ou justificativa, não é verdade? Acho que sou sim muito Alice, ou muito Sandman nesse sentido. Faço chover por dias com as minhas lágrimas dramáticas, resultado desse furacão de pensamentos e idéias que tem na minha cabeça de vento, mas no fim da tragédia, morro, ou saio do buraco, mais (d)esperta. E acho que tenho tantas matizes de sorrisos, quanto os esquimós tem para a cor branca. A minha complicação nunca é terrena, rochosa... Nunca cria raízes ou pesa demais... Embora seja intensa, é sempre aérea e pode se dissipar com um simples sopro, ou se consumir com o fogo. A mesma imaginação usada para perceber as sombras, percebe também a luz, coisas indissociáveis. A natureza de ninguém muda, ou se manipula, mas as atitudes diante dela sim. Porque "I don't wanna change the world. I don't want the world to change me.". Só é necessário um pouco de conhecimento e boa vontade para entender quais comportamentos não interessam e ajudam em nada.  E o tempo é um grande aliado nisso, certamente. Mas, vocês vêem, nem era sobre isso que eu vim aqui falar hoje... Vim só para dizer que entre os meus equipamentos de estúdio tenho um que considero a pedra filosofal deles, o fone. Geralmente ele é usado apenas na produção, na edição e na mixagem das músicas, mas por esses dias, tem substituído as caixinhas desse computador aqui, pois só tenho um par delas que estão no outro. Esse fone esmaga a minha cabeça, abafando todo o barulho externo e me permitindo focar apenas no som que sai dele. Assim, é desconfortável usá-lo por um longo período, mas é perfeito para perceber detalhes, corrigir ruídos, escolher timbres, ajustar os volumes e alturas... Mas, como quase nunca é usado para, realmente, ouvir música, quando resolvo usar, às vezes pode acontecer de eu acabar sendo surpreendida. Nessas horas, ouço a música vibrando na minha alma, como se os instrumentos estivessem à distância de um toque e o vocalista cantasse aqui pertinho no ouvido. E, se eu fechar os olhos, uma música que já me era até familiar e nem foi feita para mim, me envolve como um abraço, as palavras se tornam confortantes como um carinho e a voz me toca como um beijo daqueles bem dados. Um milagre acontece: até um furacão categoria 5, iniciado há tempos por um monte de motivos acumulados, volta a soprar como brisa outra vez. A música me apronta dessas. Certa música. Mas, quem disse que dinheiro não compra felicidade, não sabe quanto custou esse fone. Então, só resta considerar a minha imaginação uma qualidade primorosa, se a tratarmos da forma adequada.