sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

"Forjados na rejeição."

Chega uma hora em que a vida te esfrega na cara algo que você já sabe muito bem, só finge que não: nada é estático. Tudo está o tempo todo desabando. Leva tempo, mas você acostuma. E acaba ficando tão imerso nos escombros que cada vez é mais difícil sair. Então aprende a viver assim. Cria raízes nos escombros, deixa suas flores nascerem nos escombros, seus frutos caírem nos escombros e pedaços de você vão se espalhando pelos escombros num ciclo vicioso.

Quando tudo é caos a única coisa certa parece ser deitar e dormir. E mesmo assim, às vezes, você erra.

Fé em absolutamente nada, nem em si mesmo. Afinal, quando se tem a marca da rejeição tão funda na carne, não dá nem para acreditar na própria luz. Por isso você aprende a enxergar com cinismo todas as relações e instituições, onde é mais importante ser político do que ser sincero. Aprende a viver na penumbra, nos intervalos, na área cinza. Aprende a ler e fazer acordos piratas.

Depois de ouvir tanto não, tanto atentado ao seu amor próprio, acaba entendendo que é assim mesmo. Essa é a vida e esse o nosso mundo. Aprende-se a não confiar. Percebe-se que até mesmo quem está estendendo a mão é um grande dum filho da puta. Você se acostuma a ser rejeitado, a pegar tudo e não devolver nada, deixa de se importar com sentimentos e passa a ser indiferente a tudo e a todos. Mas, caramba, quando se trata de vísceras, de consciência suspensa, de química cerebral, de pele, lá vai você se arrepender de novo! 

Daí pra lá a cena é óbvia e a tragédia completa. 

Fatalidade

No amor nunca os pratos da balança estão equilibrados. E como a essência do amor é etérea, quem pesa mais é quem ama menos. 

Vergílio Ferreira

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Faz tempo, eu sei.

Sensação estranha voltar no blog depois de um tempão e dar de cara com um layout novo que eu nem lembrava mais que havia feito... Minha casa está em obra também e já nem parece mais com a antiga. Mudei. Mas, o endereço é o mesmo.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Rasteira na austeridade

Jamais se deve desperdiçar uma oportunidade de usar as palavras bancarrota, cretino e patife. Para o bem do seu discurso.

A Certeza Engorda

O ruim é essa mania de achar que é necessário estar inserido, fazer parte, ter um time, torcer para uma Escola de Samba, seguir um modelo, militar num partido político, professar uma religião, se grudar a uma família, a um grupo, defender uma cidade, um idioma, um país, uma causa, uma opinião, que jamais o considera como um indivíduo, tudo o que vêem é uma enorme multidão, cega e acéfala. A unanimidade burra. Esmagam o que existe em você de mais original, único e inocente. É preciso aceitar, estamos sós, não somos nada, não sabemos nada, não temos nada. Estamos todos igualmente olhando para o céu, tentando entender o que, por mil infernos, está acontecendo. E talvez assim haja espaço para uma vida verdadeira, porque a verdade é o contrário da certeza.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

So true...

“All work and no play makes Jack a dull boy, 
All play and no work makes Jack a mere toy.”

terça-feira, 7 de agosto de 2012

E olhe lá!

É difícil. Quanto mais se diz a verdade menos amigos se tem. Então prefiro ficar alguns anos sem contato com algumas pessoas pra continuar falando com elas numa boa. Mas, tem gente que não dá. Mesmo depois de muito tempo ainda não virou o disco. São sempre os mesmos assuntos, as mesmas chatices... Não dá nem pra sentir vergonha alheia, só pena mesmo. Todo mundo muito preocupado com o que acha bonito ser e se esquecendo de quem é. Tão acostumados com relacionamentos superficiais que não conseguem entender quando alguém simplesmente não está interessado nas suas demonstrações de poder. Num dia puxam seu saco, no outro te odeiam e vice-versa. Se dão alguma coisa já estão pensando no retorno. A vida social é superestimada. E sobre umbigos me entendo melhor com o meu! 

Cada um enlouquece por onde sente saudade

E o Laerte, né, cara? Depois de velho resolveu virar velha.

Vestindo a Armadura

Existe um corredor polonês de inseguranças, frustrações, tristezas, perfeccionismos, ansiedades, medos e paranoias que preciso atravessar, todos os dias, antes de começar qualquer desenho ou pintura, qualquer música, ou qualquer dos meus escritos. E no fim dele ainda preciso enfrentar uma batalha mortal contra a preguiça.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Ele está de volta!

Jack me vendo jogar Diablo II no outro dia:
- Até parece que se você visse esse monte de escorpiões perambulando pra lá e pra cá, ia passar assim por cima deles, sem querer, como se fossem lixo na rua...
- Cara, acho que eu não teria coragem nem de chegar perto pra matar um bicho desses.
- Eu só mataria com um ferro de passar roupas. Preso num cabo de vassoura, ainda.

Safado

Eu chamo Salsa, Xuxi, Suxi, Sinha, Sicha, Salsicha, Sichinha, Salsichinha, Xurxeres, Nêga, Neguinha, Fedozinho, Cagoninha, Maria Xuxi, Favelinha... e a Salsa vem. Já o Mambo, posso chamar Mambo, Mambinho, Binho, Neném, Rom Rom, Pelúcia, Pelucinha, Minhocão, Rajadinho, Um da Cama, Tambor, Zé, Zézinho, Zé Neném, Zé Mambinho, Zé Pelúcia, Zé Orelha, Zé Nariz, Zé Patinha, Zé Rom Rom, Zé Tambor, Zé Minhoca, Pulguentinho...  que a Salsa também vem.

Agora, falou PATÊ, o gato se materializa na sua frente.

Quando...


... meus (um) leitores aparecem aqui no blog e eu mudei o layout sem aviso. E ainda encontram um monte de textos novos depois que passo um tempão sem postar.

By Carol

Uma campainha de porta com a voz do narrador do Mortal Kombat: Finish him!

Escolhas


Like A Boss



Neste exato momento o governo marciano está afirmando que a Curiosity era apenas um balão meteorológico e que ainda não foi encontrada qualquer evidência de vida na Terra.

domingo, 5 de agosto de 2012

Macete

Quando fico triste escuto músicas tristes e começo a lembrar de outras coisas que me deixam triste. Bom que no fim já esqueci do novo motivo e fico só com os antigos mesmo.

sábado, 4 de agosto de 2012

Não tá fácil pra ninguém

Até onde a idiotice de uma pessoa pode levá-la? Não é uma incógnita? Tem gente, por exemplo, que tem a auto-estima tão reduzida a pó que pauta sua própria vida nas ações de personagens de seriados de TV.  Muda o corte de cabelo, o jeito de andar, copia as expressões, as falas e toma até as mesmas decisões do roteiro... Claro, uma criatura dessa não se importa muito se for xingada de burra - mas experimente você chamá-la de feia! - e garante toda a sua confiança em si mesma lembrando sempre que é mais alta que alguém. Fico imaginando se, por uma ironia do destino, este ser chegar a concluir que seu X-Men favorito tem o meu tamanho.  Fatalmente algumas noites de sono serão perdidas até se recompor e estar enfim pronto   para encarar a realidade.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A velha Regra de Ouro...

Uma das maiores curiosidades da nossa civilização é que todo mundo quer atenção, mas a maioria não é capaz de mexer um pentelho pra fazer algo de interessante.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

:(


Memórias

"Há um poema gravado na pedra que se chama A Perda. Tem apenas três palavras. E alguém as riscou. Não se pode ler A Perda, apenas pode-se sentí-la."

Que amor?

Sinto um medo enorme do dia seguinte... A luz da manhã é triste, clareia o que não quero ver. Não há mais sorrisos nas molduras... Talvez eu venha acreditando por tempo demais nas coisas que tenho. Que tenho... E fico num impasse entre sentir tristeza e alegria, entre cuidar e deixar ir, entre chorar e provocar culpa, entre fazer as malas e voltar para casa. Não consigo encontrar o que perdi. Não sei onde está quebrado. Não entendo. E sou inclinada a acreditar que o tamanho do esforço é proporcional ao erro. O dia passa muito depressa, o amor mais ainda.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Somos verdades, temos mentiras.

Cada uma das instituições são criadas, em última instância, para justificar o conceito de posse, de qualquer tipo, e a concepção de posse é a maior das ilusões humanas. Verdade é o que se é, mentira é o que se tem.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Vida Barroca

O que vejo agora? Um nada misturado com nada dando em nada. Nenhum esforço, nenhum movimento, nenhuma tentativa, em vão. Mas tudo muito complicado, o tal barroquismo que ascende para o nada sugerido por Lobão.

domingo, 1 de julho de 2012

Ok, não é uma desculpa.

A ausência diminui as pequenas paixões e aumenta as grandes, da mesma forma como o vento apaga as velas e atiça as fogueiras.
(François La Rochefoucauld)

Faca Sem Fio

Em algumas vezes eu sumo, em outras finjo, tem vezes que durmo, só me distraio ou é um coma passageiro, mas há dias em que morro. Ninguém nota. Não, todo mundo pensa que eu ali de volta sou a mesma (que geralmente pensam conhecer muito bem). Só porque tenho a mesma cara ou a mesma voz. É, gente, não é só um vírus zumbi que pode mudar definitivamente alguém. Muito mais coisas entre o céu e a terra podem provocar um renascimento e nem é só a interrupção de nossas funções vitais. Sim, porque para nascer de novo, morrer torna-se essencial. Enfim, tanto aconteceu nesse curto período de ausência - entre banda banida, novas séries de TV em que me viciei, greve que ainda não acabou, trabalhos ainda não entregues, proposta irrecusável adiada, noites solitárias e muitas fases de Baldur's Gate vencidas - que nem pretendo atualizar a memória. O que passou já era. Deixa assim. Mas se pelo lado óbvio muita coisa mudou, a minha pouca paciência para lidar com gente permaneceu. E já desisti de tentar me fazer entender, explicar, argumentar. É uma faca sem fio a sinceridade: mais sangra do que corta. Se a minha ironia e meu tom passam direto, quem sou eu para me esforçar em mostrar o quanto podem, por acaso, ser um primor?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Boa sujeita não sou

Do meu primeiro ano de vida até os seis viajei todo verão para conhecer o nordeste com os meus avós. Íamos de carro, por isso, entre as poucas coisas que haviam para passar o tempo durante o cansativo trajeto estavam as minhas fitas do Balão Mágico e Trem da Alegria. Também haviam as fitas de músicos de blues e jazz do meu avô e algumas das mais temidas fitas de samba da minha avó. Nós revezávamos e foi assim que aprendi a esperar pela minha vez, a respeitar a vez dos outros. Foi assim que começaram minhas aulas de música, com meu avô dizendo para eu identificar os instrumentos no meio da massa sonora e para responder qual instrumento estava tocando. Era divertido até. Mas a vez da minha avó era a parte mais sofrida da viagem. Nada de jogo de perguntas, nada de cantar junto, nem lições, só aqueles lamentos sofridos das letras de samba. Uma das fitas se chamava Festa no Céu, onde estavam reunidos vários representantes da velha guarda sambista e na capa haviam desenhos de suas figuras entre nuvens. Eu achava aquilo tão mórbido e tão chato, que levei anos para aprender a apreciar o que há de bom nesse estilo. E mesmo assim, o trauma nunca foi superado completamente: ainda não sou muito boa da cabeça e meu pé também não é dos melhores.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Aconteceu de Novo

Os acontecimentos vêm sempre num estouro de represa na minha vida. Deixo muitas coisas de lado e gosto de pensar que de fato elas morrem se eu não lhes der atenção. Sumirão se eu fechar os olhos. Sim, aquilo que não recebe energia morre. Mas a questão aqui é: será que eu abandono essas coisas de verdade? Deixá-las trancadas no porão não é abandonar, é guardar. É acumular. E o espaço ali não é infinito, às vezes aquela porta no fim das escadas estoura e o que quer que saia dela vem de forma violenta. Tudo de uma vez. Como represa. E geralmente não há nada que se possa fazer para evitar meu afogamento.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Dois

Há dois anos, nasceu o retrato, e não houve testemunhas. Fruto de um período conturbado, em que eu estava cansada de dividir meus pensamentos com quem não interessa, mas nem um pouco cansada de escrever. Fechei o outro diário, abri esse, e é engraçado como essa data me traz reflexões. Nada demais, só mais um bloguizinho para alguém transcrever a própria vida. Há um ano, eu disse que "continuo ansiosa, o dinheiro ainda é pouco, o mundo cada vez mais sem graça, as pinturas já formam pilhas acumuladas para terminar, o calor está outra vez uma tristeza e continuo esperando para ver o que vem a seguir na faculdade"; dessa vez não vou cometer este erro. Essas coisas ainda estão presentes e pouco mudou. Minha vida não se tornou, em um ano, nenhum filme de ação. Nem de comédia. Mas algumas transformações realmente profundas ocorreram e continuam ocorrendo. Não farei, portanto, comparações nem criarei expectativas. Se no ano passado eu não estava assim tão feliz por onde eu me encontrava e pelas pessoas que faziam parte da minha vida, tenho hoje a sensação de que nada mudou muito, e algumas coisas até estão bem piores para ser bem delicada. Pessoas mais saíram do que entraram. Preferi assim. A minha concha se abre cada vez menos para ver o que há e sigo imersa em meus próprios planos. A mágica da minha vida é que quando alguém se vai é por alguma iniciativa minha, e por isso não ficam saudades. Por outro lado, minha caminhada interior tem sido muito rica, assustadora, mas surpreendente, estar sozinha trouxe-me introspecção, suavidade e silencio. Embora a tristeza ainda chegue de fora. Mas gosto de olhar para este pequeno espaço de bytes e pixels, não por achar que meus textos são sensacionais ou que o Retrato é irretocável, mas por saber porque ele foi criado e o que já testemunhou. As mesmas recomendações ainda valem. Dois é só o começo.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Enquanto Houver Sol

É curioso como qualquer controle nos escapa. Principalmente quando se trata de pessoas. E fica pior quando se trata de sua própria vida. Você imagina que agora sim, depois de uma convivência conturbada seguida de briga e anos sem se falar, feitas as pazes, concedido o perdão, as coisas estarão bem melhores, o relacionamento mais fácil. Mas basta uma semana de normalidades para tudo parecer ter dado um passo atrás. Nunca entendi muito bem o que dá o direito à família de pensar que pode cuidar da sua vida melhor do que você mesmo. Mas de fato é como se comportam. Não aproveitam seu próprio tempo, não realizam seus próprios sonhos, então julgam, criticam, opinam, aconselham, sugerem. E você sequer solicitou qualquer um desses "favores". Respeito passou longe e será a primeira coisa exigida se você engrossar. Não sei de onde tiram que esta é uma via de mão única...

Mas, quem dera, o pior fosse isso. Essas situações são até bem fáceis de se lidar quando se é fiel seguidora da máxima houseana: "Pare de correr atrás, pare de se importar, seja indisponível, desapegue. Pessoas gostam do que não têm." Ok. Até aí moleza. O verdadeiro problema é que no fim é sempre você com você mesmo, procurando por um caminho, um direcionamento, um sentido. Correndo atrás de toda aquela bagagem cultural, toda a educação, todo o preparo para enfrentar a vida, coisas básicas que ficaram faltando. Exatamente aqueles cuidados que os tais conselheiros, críticos, juízes, deveriam ter transmitido nas horas certas, mas eram imaturos e incapazes demais para a tarefa.

E aí? Como superar os vícios, a ignorância e maus costumes transmitidos durante dois terços da sua vida? Como recuperar a confiança em tudo de bom em você que foi  insistentemente reprovado? Como fazer algo de bom com aquilo que fizeram de você? Você elabora um plano para o seu ano. Tudo certo. Inclui na sua pretensa nova rotina todas as coisas saudáveis, úteis e interessantes para os seus objetivos. Então por anos e anos chegam os 31 de dezembro, sempre cedo demais, trazendo as suas metas fracassadas, junto com aquela vontade enorme de culpar tudo e todos, de sentar e chorar, desistir. E aí?

E aí, amigos, é pendurar a hematita no cordão, é coragem. É berrar para si que tempo é apenas um parâmetro. É soprar e abanar insistentemente a faísca, a centelha que qualquer coisinha guardada no lugar mais especial do coração possa provocar. E deixar a chama vermelha germinar de novo enquanto o Sol se levanta. Porque, todos sabemos bem, ele sempre levanta outra vez.