segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Cores Para Dias Em Branco

Tirando a parte da agonia que me causa aquela quantidade enorme de livros e a depressão na hora de ir embora de mãos vazias, a Livraria da Travessa é um dos passeios que mais trazem leveza ao meu dia. E, diga-se de passagem, não poderiam arranjar combinação mais perfeita do que agregarem o restaurante Fiammetta bem no espaço interno da filial próxima aqui de casa. No meu aniversário jantei por lá e ontem retornei outra vez. Acabei encontrando, entre vários livros desejados e necessários, blocos e caderninhos de papéis artesanais coloridos de uma empresa chamada Thé Des Ecrivains. Tão bonitos! Comprei alguns e vi que também haviam latas, da mesma empresa, embalando composições de chás diversos. Esse pessoal me entende... Não comprei os chás, ainda, mas, hoje senti vontade de começar o projeto de 365 desenhos, num caderninho que eu mesma montei com um papel artesanal feito por um colega da faculdade que trabalha no Arquivo Nacional. E isso me fez pensar que às vezes até entendo o quanto eu  posso não ser uma pessoa assim tão fácil para as outras. Tenho maneiras e perspectivas estranhas para a maioria. Mas então chove, vou até à livraria, como batatas-fritas, tomo um sorvete de menta e compro papéis coloridos para desenhar, e essas coisas tão simples conseguem me trazer suficiente alegria e motivação...  Pensando bem, talvez não seja eu a difícil aqui...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Algemas Reluzentes

É assustador o que a vontade de parecer especial pode fazer com a sua liberdade.

sábado, 22 de outubro de 2011

30 and Dirty

"Ah, ela tá desenhando porque você deu aquele lápis e aquele papel pra ela brincar."
"Ela desenha o dia inteiro porque pediu aqueles gizes pastéis de Natal."
"Ela desenha porque está de castigo e não pode sair."
"Ganhou um monte de brinquedos, foi desenhar com as canetinhas."
"Claro que ela desenha! É melhor que estudar matemática."
"Tá lá desenhando em vez de sair um pouco."
"O desenho da orelha não é assim, não."
"Só desenha vampiros e coisas feias..."
"Vamos ver o que tem de errado nesse desenho."
"Ah, achei um defeito nesse desenho!"
"Só faz desenhos parecidos com ela."
"Esse desenho de nariz tá todo torto."
"Desenho não vai te dar futuro."
"Tá, eu sei que você gosta de desenhar, mas tô falando de profissão."
"Você não acha que desenhos vão pagar suas contas, né?"
"'Desenho é a coisa que mais faz na vida.' Não tem vergonha de dizer isso, não?"
"Falou que ia estudar Direito, mas resolveu fazer Desenho Industrial. Pelo menos escapamos de Pintura ou Música!"
"Desenho, desenho, desenho! Não faz outra coisa?"
"Ah, ela sabe desenhar porque fez faculdade."
"Claro que ela sabe desenhar, agora que fez o curso de quadrinhos..."
"Desenhar com foto do lado, até eu!"
"Já viu o material dela? Por isso o desenho fica bom."
"Qualquer desenho nesse papel fica bom."
"Ah tá... Você estudou desenho na EBA..."
"Desenhando com o computador... Aí é mole, tem CRTL+Z."
"Desenha porque não quer trabalhar."
"Faz desenhos para livros? Que legal! E trabalha em que?
"Desenho? Mas isso dá dinheiro?"
"Alguém tem que trabalhar enquanto você só fica desenhando, né?"
"Escolheu desenhar, agora tem que ser a melhor desenhista que existe."

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O De Sempre

Penso que uma opinião é tão boa e útil quanto qualquer outra. Há coisas que simplesmente não se discute, não faz o menor sentido. No fim das contas, debates inúteis não interferem no sucesso seja do que for, nem na opinião de ninguém, só servem mesmo para mostrar as verdades que todos conhecemos: sobra pose e falta talento, falar é mais fácil do que fazer, complexo de inferioridade é uma merda, apego é doença, ninguém chuta cachorro morto, a verdade é a maior sociedade anônima do mundo e, por mim, teria show do Guns toda sexta-feira.

Dia 2 no Rock In Rio 2011

O domingo anterior havia sido felicidade pura, mas, embora neste último eu estivesse bem menos empolgada para voltar à Cidade do Rock, ainda assim, esperava me divertir. De fato, aproveitamos muito mais as outras atrações do festival, conhecemos músicos brasileiros de blues maravilhosos, vimos apresentações de sapateado, dançarinos de rua, artistas de circo e mágicos. Comemos com calma, andamos com muito menos pessoas em volta, quase nenhuma fila. E quando deu a hora do primeiro show conseguimos ficar bem mais perto do palco!  O Evanescence subiu no horário e tocou, a maior parte do tempo, músicas do CD que nem saiu ainda aqui... Músicas bonitas e tudo, só que desconhecidas, e os músicos, embora talentosos, não pareciam muito empolgados... Achei que ficaram devendo. Um monte de gente mais nova tinha ido lá só para vê-los, não deviam aparecer apenas para cumprir agenda e divulgar CD novo... O System of a Down foi sensacional! Vieram ao Rock In Rio devido à quantidade de pedidos que o evento recebeu dos fãs e de fato, a maioria estava lá para vê-los, foi uma animação só. Todo mundo rindo, pulando, cantando junto... Depois começou a chover, justo na hora em que o Guns N Roses começaria a tocar, e todos sabem que eles nunca entram no horário certo. Esperamos um pouco, a chuva apertou e conforme alguns iam embora, nós conseguíamos ficar ainda mais perto do palco! Então, o show começou e foram algumas das horas mais legais que passei no festival. A banda honrou a massa de fãs que fez deles a banda mais pedida do Rock In Rio IV. O som estava tão bom que parecia gravação. E tocaram a maior parte das melhores músicas antigas. Eu mesma queria que tivessem tocado mais algumas do último CD, adoro as coisas novas, mas mesmo assim foi um set list impecável e tenho certeza de que quem estava lá adorou. No fim teve a clássica queima de fogos ao som da música tema do festival. Foi bonito. A noite valeu cada centavo do ingresso e minuto de espera.