segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Nunca Mais

O medo de morrer não impede a morte, mas a vida. Raciocínio sensato. Mas, nem é morrer o problema e sim não conseguir realizar as coisas mais sonhadas a tempo. Às vezes, no fundo do poço, chego a ter certeza que isso vai acontecer mesmo e acabo ficando muito triste. Felizmente, sempre aparece uma certa mão amiga estendida e uma palavra de conforto nessas horas que não servem para nada. Mas, mesmo assim, um poço acaba se abrindo sob meus pés em momentos inesperados e em alguma outra hora o pensamento volta.

Geralmente volta por motivos que nada tem a ver com essas coisas mais sonhadas. Acontece quando há pressa, durante o banho ou no meio da noite, que é quando também surgem as melhores idéias. E, por isso mesmo, diante da impossibilidade de anotá-las, acabo perdendo todas. Tipo, TODAS. Penso "ah, tudo bem, isso é bom demais e não vou esquecer." Esqueço sim. Depois procuro lembrar o que foi de tão legal que eu havia pensado anteriormente, mas é tarde demais. Então planejo usar um caderninho amarrado no meu braço junto com uma caneta, mas nunca amarro. Embora o velho Edgar já tenha contado há tempos sobre o Demônio da Perversidade, que nos obriga a procrastinar as coisas por puro masoquismo, ainda insisto nesse ciclo vicioso: não ajo e fico triste, fico triste e não ajo.

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