segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Barrinha no Máximo

Às vezes eu queria conseguir ser mais opaca. Não digo ser falsa, apenas conseguir não tornar meu descontentamento contagioso. Mas tenho um grande problema com a dissimulação social sem qualquer interesse em jogo. Sabe, entre amigos? Não deveria ser necessária. Quando estou num lugar e o papo está chato, alguém resolve perturbar a harmonia do grupo ou surgem aquelas longas histórias auto afirmativas sempre repetindo a mesma ladainha, me dá sono, tédio. E, como não existe em mim qualquer interesse motivador, minha exaustão fica exposta. Por mais que eu goste dos meus queridos amigos, por maior respeito que eu tenha pelo seu modo de ser, por mais ajuda que eu ofereça às suas causas, por mais compreensiva que eu seja, não é por mal, é só que meu saco de paciência, infelizmente, é transparente.

sábado, 20 de novembro de 2010

O Fim do Arco-Íris

Tenho uma curiosidade enorme em saber o que exatamente os passageiros de transporte público buscam no fim do ônibus, especialmente naqueles com gente saindo pelas janelas. Sei lá, deve ser algo muito legal. Um baú de tesouros, um trevo de quatro folhas, a fonte da juventude, Akira, o Um Anel. Porque eles realmente fazem muita questão de ir para o fundo do ônibus. E nada poderá detê-los!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cerveja Grátis Amanhã

Procrastinação é um mal de raízes profundas em nossa cultura, não sei em outras. Tudo pode ser feito amanhã. Dar um mês ou um dia para o aluno fazer um trabalho de pesquisa é a mesma coisa. Mas, por algum motivo estranho, só adiamos o que é importante, aquilo que vai nos fazer bem. Ninguém deixa a implicância para amanhã, a fofoca, a preguiça, a maldade, a tristeza. Ninguém diz: "ah, depois eu fico triste, só mais cinco minutinhos..." O importante é sempre substituído por algo completamente desnecessário e idiota. Fico realmente muito triste e nervosa às vezes, principalmente quando o passo à diante depende muito mais de outras pessoas do que de mim, mas aprendi uma coisa num tempo em que eu já estava há dois anos passando por um dos mais duradouros sofrimentos da minha vida. Dou três dias para ficar triste, chorar, culpar, xingar e agir como uma louca. Só três dias. Depois, não me permito sofrer mais pela mesma coisa. Evito todas as possibilidades de me enfraquecer, afasto todos os pensamentos e exilo tudo o que possa ter relação com o objeto de tristeza. E dá certo!

sábado, 6 de novembro de 2010

Autoprogramável

"O homem não é nada em si mesmo. Não passa de uma probabilidade infinita. Mas ele é o responsável infinito dessa probabilidade." 
(Alberto Camus)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Nunca Mais

O medo de morrer não impede a morte, mas a vida. Raciocínio sensato. Mas, nem é morrer o problema e sim não conseguir realizar as coisas mais sonhadas a tempo. Às vezes, no fundo do poço, chego a ter certeza que isso vai acontecer mesmo e acabo ficando muito triste. Felizmente, sempre aparece uma certa mão amiga estendida e uma palavra de conforto nessas horas que não servem para nada. Mas, mesmo assim, um poço acaba se abrindo sob meus pés em momentos inesperados e em alguma outra hora o pensamento volta.

Geralmente volta por motivos que nada tem a ver com essas coisas mais sonhadas. Acontece quando há pressa, durante o banho ou no meio da noite, que é quando também surgem as melhores idéias. E, por isso mesmo, diante da impossibilidade de anotá-las, acabo perdendo todas. Tipo, TODAS. Penso "ah, tudo bem, isso é bom demais e não vou esquecer." Esqueço sim. Depois procuro lembrar o que foi de tão legal que eu havia pensado anteriormente, mas é tarde demais. Então planejo usar um caderninho amarrado no meu braço junto com uma caneta, mas nunca amarro. Embora o velho Edgar já tenha contado há tempos sobre o Demônio da Perversidade, que nos obriga a procrastinar as coisas por puro masoquismo, ainda insisto nesse ciclo vicioso: não ajo e fico triste, fico triste e não ajo.