domingo, 17 de outubro de 2010

O Quinto Cavaleiro

A preguiça é um animalzinho de estimação, não é verdade? Fica alí... com aqueles olhinhos de Gato de Botas... olhando para você... pedindo um abraço... E você precisa se esforçar bastante para resistir aos seus encantos.

Todo mundo tem a sua. Eu mesma tenho várias preguiças queridas, uma para cada hora do dia. Tenho a preguiça do despertar, que é mais ativa logo pela manhã. Tenho a preguiça de me vestir, que me impede e me segura com garras também para me despir. Tenho a preguiça do exercício, que não tem sido tão problemática porque as calças 38 estão tão largas que já estou considerando a possibilidade de me inscrever em castings de animações em 2D. Tenho a preguiça do trabalho, que é uma das mais violentas, com acessos de raiva que podem incapacitar um homem adulto. Tenho a preguiça do carro, que me mantém dentro dele por pelo menos uns 40 minutos antes que eu tome coragem e saia. Tenho a preguiça do mercado, que é bem pior na volta quando preciso levar as compras escada a cima. Também tenho a preguiça do estudo que afeta qualquer um que deseja abrir um livro ou ficar acordado numa sala de aula.

E nestes nossos tempos modernos, outra preguiça tem se tornado cada vez mais popular, tão rapidamente quanto se descobre novos métodos para baixar músicas e filmes de graça. A preguiça digital. Recebeu um e-mail? Pra que responder agora? Deixa pra depois. Recado no Facebook? Comentar no blog do amigo? Agora não. Anti-virus? Demora tanto, depois eu passo... Discussões virtuais então! Zzzzzzz...

No fim das contas, a preguiça, esse animalzinho sorridente, será conhecida por nossos possíveis sobreviventes como o quinto cavaleiro do Apocalipse. Aquecimento global? Vegetarianismo? Reciclagem? Economia de água e energia? Diminuir emissão de gás carbônico? Faz você, vai... Agora me deixe terminar meu hamburger aqui no fresquinho do ar-condicionado e não perturba. 

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Se isso não é ser burro, então o que é?

Queria arranjar uma forma legal para escrever um texto sobre o quanto às vezes começo a concordar com o Jack quando diz que a solução é a guerrilha e com o Rapha quando enfatiza oportunamente que devíamos passar todo mundo nas armas, principalmente porque são dois dos poucos que ainda levo a sério nesse mundo. Mas não sei se valeria o esforço e enfeitar coisa feia dá trabalho. Porque, sabe, é tanta falácia, argumentação fraca e opinião baseada em jornal (todos sabemos bem a quem os jornais pertencem e que interesses tais pessoas defendem) que o ânimo desce rolando por essa ladeira chamada Brasil. Acabo me abstendo de discussões por pura falta de saco, principalmente quando percebo certa defasagem na base mínima de conhecimentos das pessoas para se adentrar em assuntos tão complexos e ramificados como política. Irônicamente fica a impressão de ignorância da minha parte ao me recusar a responder um texto enorme, cheio de palavras difíceis, dados estatísticos e frases de efeito, mas se você me lê por um tempinho já sabe o quanto me importo com a opinião dos outros a meu respeito. Deixo para lá mesmo. Não é muito inteligente discutir com quem não sabe do que você está falando. E nem são os burgueses que sinto vontade de estapear. Eles apenas estão fazendo o que sempre fizeram: sendo coerentes com suas crenças esnobes e cuidando para que seus privilégios sejam mantidos. Não. Não é por eles que meu sangue ferve e com quem tenho sonhos envolvendo serras elétricas, AK-47s, granadas e afins. Com eles até seria possível e importante debater suas crenças e privilégios, seria inclusive saudável, mas não passaria de apenas uma conversa educada e pacífica. O que não entra na minha cabeça mesmo, serei bem direta, é um fdp de classe média e fodidos em geral considerando a hipótese de optar por partidos declaradamente elitistas. 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Morra Com Essa

"Tudo o que é perigoso em você vem do coração.
Nada é mais rochoso do que um pensamento."
Osho

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Morte aos Titereiros

Falo dormindo às vezes. Quer dizer, acho que não falo mais tanto há um tempo. Mas, quando eu era criança, lembro de já ter sido acordada pelo meu pai tentando abrir a porta de casa, e de muitas outras situações ruins como essa. Jack nunca mais comentou sobre eu falar à noite, então acho que parei. Mas eu queria mesmo é escrever sobre uma forma mais ampla de sonambulismo. Esse em que todo mundo passa a vida inteira e não percebe.

Não sei, acho que poucas pessoas na história da humanidade acordaram para a vida, sabe? A esmagadora maioria de nós está mesmo é dormindo. E uma pequena amostra do quão profundo é este sono está no quanto é tão mais fácil se livrar, esquecer do que você disse e fez de bom, em se reprimir e vestir máscaras, e, por outro lado, tão difícil procurar apagar da memória aquilo que não foi tão legal assim. É duro se assumir sem medo de errar, de ser anti-ético, bobo ou imoral. Quanto mais pesado o sono maior o orgulho, o empenho e o valor que se dá à construção do ego, da personalidade, do caráter, a força que se faz para não abandonar a maldita crença de que nossos pensamentos, sentimentos e aparência são tudo o que somos. Então, entra-se numa de se sentir burro, um trouxa mesmo, por suas palavras bonitas, por suas mais belas ações no momento em que começa a surgir a pena de si próprio e a procurar enxergar-se como o traído, a vítima de uma história qualquer. Mas, uma questão ecoa no vazio deixado: "não houve responsabilidade alguma da sua parte para haver trilhado aquele caminho e chegado à determinada situação?", bom, mas nem é tão complicado ignorá-la.

Assim fica claro que não se dá um passo espontâneamente. Tudo em você é falso, moldado, polido e pensado. Cada movimento considera o julgamento dos outros e seus preconceitos. Nada é de coração e poderá ser usado contra os outros a qualquer momento. Mas, será que é tão sofrido assim agir bem simplesmente porque isso o fará sentir-se feliz? É muito ruim mover-se nesse mundo apenas por si e para si mesmo? É realmente necessário atuar em vez de viver, como se os outros estivessem o tempo todo atentos aos próximos capítulos da sua vida? E se estiverem, porque dar-lhes tanto crédito assim? Por que você não pode ser visto como tolo, infantil, fora do círculo que outros traçaram? E, ainda, parece apropriado negar sua delicadeza, sua calma, sua inocência, só para, outra vez, dar uma impressão de esperteza, sentidos aguçados e força? Não sei, posso estar enganada, mas para mim, fraqueza é se deixar dominar pelo orgulho, bancar o valentão, fingir que é inatingível, agir contra a sua vontade, dar voz à vaidade e permitir que a mentira, a raiva, a inveja, o ciúme, a ganância, a futilidade, a preguiça de pensar e a falta de disposição para nos assumir nos manipulem como marionetes.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Telhado de Vidro

Qual é o nome que se dá para quando você se vê sob uma chuva de pedras e pede para que procurem encarar suas atitudes e a situação atual por outra perspectiva, depois de ter ajudado a apedrejar alguém, que nunca conheceu, pelos mesmos motivos que levaram-na a estar sendo atacada agora?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

De Mudança

É tanta coisa na cabeça, tanta coisa pendente, tanta exigência e tão pouco retorno. Não que eu faça tudo esperando recompensa. Na verdade só espero algo em troca de trabalhos feitos exclusivamente para os outros. E só trabalho por dinheiro porque não há outra forma de me manter na casa em que moro, adquirir os livros que quero ler, pensar em realizar meus projetos, sonhar com viagens e coisas assim... Dinheiro para mim é só um meio mesmo. Mas, sei lá, talvez eu esteja errada nesse meu modo de vida, nesses desejos que aprendi a ter. Talvez, se eu mudasse de perspectiva, abrisse uma trilha nas montanhas aqui em frente e procurasse por um local bem escondido no meio do mato para construir uma casinha, abandonasse o mundo e passasse a viver apenas de manga e jaca, de vez em quando sair para uma volta pela cidade, só para observar, talvez fosse menos duro encontrar um pouco de respeito, verdade, calma e beleza nesse mundo.