Acordar sem hora e ver que a manhã ainda não passou; notas boas, depois de pensar que havia ido muito mal nas provas; chegar em casa e o Jack já estar aqui; como meus gatos miam quando sabem que vão ganhar algo de comer, e escondem as patinhas no frio; viajar para algum lugar que ainda não fui; como Paraty parece ter parado no tempo; quando uma criança gosta de conversar e ri de volta para mim; quando consigo manter a disciplina para depois quebrá-la; terminar uma nova pintura; aprender algo novo, quando gosto de músicas que ainda não conhecia; tocar o piano sem me preocupar com o tempo; quando canto com o violão; descobrir artistas novos; quando tenho livros novos para ler, quando risco mais um da minha lista e como o papel deles cheira bem; quando há bolsos nas minhas calças; quando é lua cheia ou quando fica só aquele filetinho de lua e quando eu consigo, sem querer, vê-la nascer atrás do morro, ou entrar num cômodo em que só ela ilumina; quando o chá está ainda quente, mas já não queima a boca; como a fumaça sobe das canecas; ver flores e borboletas; quando posso usar botas; quando está frio e como o ar da respiração se condensa; quando o church organ entra sorrateiro na música do Kraken; como as letras de Hard Rock elevam o meu ânimo e me fazem rir; como as cantoras de Blues soam doces e fortes; como as histórias irlandesas soam heróicas e as japonesas soam delicadas; como Quintana diz tanto em palavras tão simples; como o Folk me lembra a infância e Kitaro me acalma; quando toca músicas que gosto no rádio; como músicas com acordeon lembram circo; quando as sombras se alongam pela tarde amarela; como o céu muda de cor minuto a minuto; quando a casa está arrumada; como sempre consigo aprender algo importante depois de uma adversidade; quando posso cozinhar; dormir ouvindo a chuva; como fica meu guarda-chuva transparente enquanto as gotas caem; como parece que tudo faz tanto tempo e mágico quando chove; quando escuto meus gatos brincando; quando o Jack deixa um bombom sobre minha mesa sem eu ver e como nós gostamos de conversar sobre tudo; quando conheço e começo a amar uma nova pessoa; como as estrelas aparecem aos poucos, enquanto vai anoitecendo; como as mensagens dos budas soam óbvias; como rimos nas aulas no ateliê e no curso de quadrinhos; quando as folhas voam altas ao vento; quando tudo está quieto; o som que fazem os sapatos molhados depois de pisá-los na areia; quando ouço apenas os meus passos na noite; e quando à noite durmo sabendo que não tenho hora para acordar.
Um comentário:
Muito bom! Obrigado por atualizar =)
Postar um comentário