segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dos Grandes Artistas

Ah... a coqueteria dos bons... Aí está a sua glória: afastar apreciadores. Não raro uma crescente inquietude interrompe minha leitura bem no melhor da história. A intenção é voltar, desesperadamente, aos meus lápis e pincéis, ao meu piano, ao violão... E só os grandes não temem este efeito. Sabem que um só dia se passará sem que voltemos em busca de mais.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Pretexto da Desistência

Um 23 é sempre dia bom para inícios. Mas quem foi que começou a estupidez de contar o tempo? Sóis, luas, eclipses... Números são apenas pretextos! Como este aqui, agora mesmo, por cima dos meus ombros, sussurrando "mas aos 28 já é tarde demais."

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O Que Vejo da Minha Janela


Sobre a minha sorte? Isso é papo longo... Eu poderia até escrever páginas mil enumerando cada aspecto abençoado da minha vida, incluindo derrotas e erros, porque até mesmo uma dor é parte da sorte de qualquer um, mas esse seria um texto exaustivo. E já apareceram parágrafos demais por aqui, o que nunca foi minha intenção inicial. Então, serei mais breve agora.

Acredito na coexistência de destino (os eventos) e livre arbítrio (nossa capacidade de responder a eles). Não nos cabe decidir se vai chover, mas levar ou não um guarda-chuva é escolha nossa. Portanto, vejo a existência sob uma perspectiva contrária ao maniqueísmo. Sem essa de bem e mal, todas as coisas estão mudando constantemente. O que chamamos hoje de vidro de palmitos amanhã poderemos chamar de pote de algodão e assim também são as pessoas, os eventos, os sentimentos, o universo. E sendo assim, tanto o crime mais macabro pode ter razões e consequências favoráveis, quanto uma vitória espetacular pode levar à mais tristezas que alegrias. "Sorte" é como "qualidade" e "crítica", as pessoas acabaram se esquecendo que essas palavras são neutras. Existem a "má sorte", sinônimo de "azar" e a "qualidade ruim", sinônimo de "defeito". Além disso, criticar é sinônimo de analisar, não de detonar verbalmente.

Quando me refiro à minha sorte, algo inegável para quem é do meu convívio, não quero dizer que minha vida seja recheada apenas de boas coincidências. Acontece que a forma com a qual procuro interpretar as situações tornam, sem dúvidas, a grama mais verde do lado de cá. Enquanto a situação ocorre, posso ignorar sua importância e benefício, mas pensando melhor depois, fica evidente que tudo segue um roteiro perfeito. E claro, não é só comigo, a vida de qualquer pessoa é preenchida apenas do necessário. Mas, vejam o quanto sou sortuda, eu já consegui compreender isso!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Walkabout

Essa foi a distância que andei ontem até encontrar um ponto de ônibus que não estivesse alagado. O curioso é que eu estava tão impressionada com as cenas apocalípticas e entretida em pisar com cuidado para não cair em bueiros abertos, que nem notei o tempo ou a distância durante o trajeto. Mas, andei tanto que até senti a calça mais folgada quando cheguei em casa. Não estou brincando.

Essa seria a distância que eu andaria (passando por uma favela de onde já derrubaram um helicóptero da polícia e mais à frente por uma auto-estrada sem luz e muitos deslizamentos de terra) caso não tivesse a sorte que todos vocês conhecem. Um senhor, sua filha e sua sobrinha ofereceram carona para mim e um garoto que estava por alí também, junto com as mais de cem pessoas, debaixo de chuva, esperando por ônibus, taxis ou por caronas de pessoas solidárias.

Minha cidade, infelizmente não tem estrutura sequer para suportar chuvas fortes, o que diremos sobre receber uma olimpíada? Não tive uma semana, desde o início do semestre na faculdade, em que algum problema  não tivesse impedido a realização de alguma aula. Um dia é o governador que decreta ponto facultativo por conta do Pré-sal, no outro falta luz, professores não conseguem chegar à universidade por problemas no trânsito e acidentes, hoje o prefeito pede que as pessoas fiquem em suas casas e amanhã nada funcionará também. A chuva continua forte desde ontem às 17 horas e um monte de gente ainda não conseguiu voltar para casa. Por um dia o show do Guns não precisou ser cancelado outra vez... Realmente, "we need a little patience" por aqui.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

É Noite

Quero escrever há dias, realmente quero, até anotei alguns dos temas que pretendia transformar no próximo texto, mas e este ditador vermelho? Um maldito comunista com seu olhar insolente, sua cara redonda, seus doze números perfeitamente distribuídos e ponteiros apressados?  É, eu sei, essa não é uma questão nova... Realmente há algo mais.

Pode parecer não combinar muito comigo, mas de tempos em tempos passo por momentos de melancolia e, ao contrário da maioria dos artistas que transformam tristeza em obras primas, para mim esse não é um estado assim tão favorável. Não sei... Talvez por ser uma melancolia do tipo que só os boêmios conhecem... Os pensamentos ficam elásticos, encolhendo e esticando, feito mola. Os gestos vão em câmera lenta, a expressão leve e a cabeça passa a maior parte do tempo entre as mãos, buscando na memória sensações antigas, velhas motivações, alegrias amareladas e algum sentido para o presente. Caso alguém pergunte o que foi, é provável que eu me perca em simbolismos, sínteses corridas e vastas, pingos de chuva em poça d'água. Talvez até faça mais sentido se eu sair de repente com uma mochila nas costas. Porque no fim, a pergunta ficaria mesmo sem resposta. 

E que pergunta não fica?

Tenho aprendido a enxergar por ângulos diferentes, visto beleza onde antes era apenas algo sem sentido, andado para lá e para cá. Pessoas novas apareceram como novos figurantes, meus tênis e botas vem sendo mais requisitados. Estou ouvindo músicas que dizem muito e lendo poesia. Trabalho e estudo ocupam quase o dia todo, a vida ganhou mais movimento, idéias vão surgindo e agora volto para casa tarde. Mas, há sempre aquele espaço em que nada consegue tocar, onde os ruídos chegam abafados, longe, e quando encontram o seu destino, se deparam com uma pessoa que não dá a mínima para o que têm a dizer.