segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Dura lex

Uma vez eu ouvi de uma das pessoas que mais importam para mim, numa situação de despedida: isso não é justo. Acho que algumas pessoas tinham mesmo que receber certas compensações do universo, por suportarem dores que ninguém devia precisar passar... Experiências pesadas demais para qualquer um. Depois delas, tudo devia ser mais suave e feliz. Naquele momento, minha vida passou pela minha cabeça... quase 33 anos... E eu só consegui concordar, com o maior sentimento de impotência: sim, não é mesmo.

E claro que se o universo dependesse de mim, eu nem saberia por onde começar, nem como e por isso, até entendo ele ser essa bagunça que aparentemente é... como se tivesse sido simplesmente largado pra lá... Naquele mesmo ano, alguns meses depois eu estaria lidando com outra situação de despedida, tão intensa, tão grande quanto, dadas as devidas proporções. E também se iniciava a época mais doida e caótica da minha vida. Duas despedidas no mesmo ano... Recomeços grandiosos... Não bastava todas as lições até ali sobre o quanto somos insignificantes diante das leis que regem essa loucura toda e sequer conhecemos.

Mas, dez anos depois... aqui estamos todos outra vez, na virada da maré. E eu só consigo pensar  que depois daqueles 22 anos de peso desnecessário, essa meta já tinha que ter sido batida, sabe? Para que mais  medo, perda, sensação de impotência, vazio, lacunas? Afinal, como acontece com as cólicas mensais, só dói, apenas isso. Serve pra nada. E isso não é justo mesmo.