Quando tenho idéias para organizar e entender, faço um monte de coisas diferentes, porém poucas parecem ser tão eficazes contra o medo e a desorganização mental quanto escrever. Além de ser uma ótima forma de afiar a agilidade mental e todos os processos que acontecem na parte lógica do cérebro... É uma pena toda vez que paro um pouco para isso, eu já tenha acumulado tanto. Acabo juntando tudo, misturando, embolando... E quando as feras já estão a ponto de derrubar o portão, preciso interromper as urgências, como um plantão de notícias. No fim, alguns textos acabam parecendo fios de fone de ouvido ou de pisca-pisca. No meu caso, poderiam ser mesmo fios de fones de ouvido COM pisca-pisca junto.
Assim, três ou mais assuntos têm se emaranhado na minha cabeça desde o último texto e um pode não ter qualquer relação com o outro. Claro, se tomarmos a costumeira proporção da perspectiva humana, bem mais que três, até. No macrocosmo, tudo acaba sendo a mesma coisa. E, pra mim, fazer associações é uma das partes mais divertidas ao escrever.
Mas, enfim, cada vez mais a minha reduzida disposição para explicar se dissipa. Ao ponto de estar encerrando, ou suspendendo por tempo indeterminado, qualquer atividade que envolva ensinar. Então, as feras tomarão as linhas como sempre, conforme escapam do portão. Eu apenas o abro, para que ainda exista algum. Quem tiver interesse em desembolar os fones com pisca-pisca por aqui, que o faça.
Interesse... filho do desejo, pai da ação... é um bom tema para começar. Qualquer coisa começa por interesse mesmo... Se tenho interesse, ajo. E quanto maior o desejo, mais interesse, mais ação. A ação é o resultado do interesse. Porém, na maioria dos casos, as pessoas não sabem o que querem, nem sabem o que é de fato aquilo que elas acham que querem. Não sabem o que é ter realmente aquilo, o que isso significa. Não lidariam um dia sequer com o que acham que querem. Queriam mesmo é que tudo fosse fácil. Além disso, se alguém me diz que quer algo, mas não se mexe, não sai do seu lugar, não vai atrás, não faz tudo o que está a seu alcance para conseguir, tendo a questionar seu real interesse. Às vezes, não sabemos nem por onde começar, é verdade. Podemos nem saber onde conseguir as informações que precisamos. É possível até que sequer saibamos o que não sabemos. Ou sequer saibamos que não sabemos. No entanto, se alguém me diz que queria saber desenhar, por exemplo, mas não consegue, recebo com muito cinismo essa alegada incapacidade. E questiono: qual foi o seu empenho? Estudou? Praticou? Com qual grau de disciplina? Levantou e foi aos lugares onde a atividade está? Conheceu gente nova e fez contatos? Pesquisou? Preencheu cem sketchbooks? Procurou as pessoas que desenham e encheu o saco delas com perguntas? Uma busca realmente engajada, mostra nosso verdadeiro interesse. Para os outros e para nós mesmos. Pode nos mostrar que nem queremos algo tanto assim, ou até que o interesse real está em outra coisa, só pensávamos que havíamos entendido qual era. Porém, antes de concluir isso, é necessário se mexer, levantar e zerar todas as possibilidades. Antes de se definir a impossibilidade, é preciso ter certeza de que 100% foi dado na jornada. E você saberá disso quando o coração estiver mais leve que uma pena, a consciência tranquila. Pois, do contrário, haverá culpa. Culpa indica arrependimento. E arrependimento indica que havia mais para fazer, para dar de si. Em contrapartida, nem tudo nos cabe, todo um universo de possibilidades e fatores podem estar contra as nossas intenções, esforços, interesses e ações, essa é a parte a ser simplesmente aceita, não podemos controlar. Porém, o que podemos, está totalmente em nossas mãos.
Então, eu sei... Meu coração flutua de tão leve... Maat deve estar orgulhosa. Esse esgotamento a respeito de ensinar é generalizado. Por todos os pontos de vista, bati essa meta aí e cumpri todas as minhas horas. Geralmente demoro bastante para encerrar certas coisas, mas quando encerro, está encerrado MESMO. A primeira vez que dei aulas para alguém, eu tinha 12 anos. Por muito tempo, achei que gostava disso, embora sempre estivesse muito claro para mim que meu destino é outro. Descobri que não desgosto, no entanto, meu interesse não está, nunca esteve, em professar nada, ensinar... Isso é só uma partezinha do que de fato me atrai. Tenho interesse mesmo é em criar e construir, ver coisas sendo feitas, fazê-las e vê-las prontas. Gosto do processo de construção, da produção e gosto de resultados. Acho assombrosa a capacidade humana de materialização de idéias. Isso é mágico. Um dia, do nada, a coisa passa a existir na sua cabeça, depois de uma série de processos ela se materializa e passa a existir no mundo físico. É incrível. Sou contra esforços, fazer força, esmurrar ponta de faca, sofrimento, embora o processo criativo seja tempestuoso e nada confortável. Embora, também, nem sempre se consiga atingir metas sem fazer sacrifícios e escolhas difíceis. Mas, enfatizo, tenho especial apreço por toda a trajetória da construção, desde o seu planejamento até sua finalização. Se a jornada passar por ensinar coisas aos outros, farei o meu melhor. A questão é que meu enfoque está na construção da minha própria vida, no meu crescimento, no meu aperfeiçoamento. Pois, é onde tenho minimamente alguma chance de garantir total empenho. Se mais alguém quiser aprender algo comigo, ter aulas, ou se submeter ao meu direcionamento, agora vai precisar antes provar um real interesse. Porque eu cansei de fazer isso apenas por dinheiro, senso de coletividade ou caridade. Tenho conhecimentos de muito valor e tenho prazer em compartilhar. Porém, meu tempo e minha energia precisam receber um pouco além de todo o aprendizado e o crescimento pessoal que ensinar para outras pessoas pode me trazer. E nesses anos todos, exceto por uns poucos "alunos" que valeram cada minuto de atenção dispendido em suas causas, não consegui muito além disso, ensinando. Logo, voltarei a dedicar tempo exclusivo a mim mesma e ao que posso, de fato, fazer.
Uma das coisas mais estúpidas que li recentemente foi um pequeno trecho de pensamento referente ao trabalho. Dizia algo como: "jamais faça nada além do que é sua obrigação, pois nunca vão te pagar nada além da obrigação." Aparentemente, parece lógico e justo, porém, essa idéia contém tantas premissas equivocadas quanto essa ideologia típica dos que não gostam de fazer, mas curtem aproveitar as coisas que aqueles que gostam produzem e exigi-las como se fossem um direito de todo ser humano. Mentalidade da esmagadora maioria dos funcionários públicos brasileiros que trabalham apenas porque precisam de dinheiro. Ou de gente que já nasce rica e acha que tudo o que existe, existe para lhe servir. Pra começar, se a busca é pelo progresso pessoal, é preciso ficar claro que tudo que se faz, se faz para si. E fazer para si é fazer para os outros necessariamente. A mentalidade de empregado deve ser substituída pela mentalidade de negociante imediatamente. Um contrato de trabalho é um negócio. O contratante tem um negócio que precisa do seu serviço. Seu serviço é necessário ao funcionamento do negócio. Não é apenas você que precisa do contratante. Ele precisa de você também. Logo, você também é importante aí. Ou não é? Ou você é um medíocre e como você existem milhares procurando simplesmente um emprego para pagar as contas? Se for esse o caso, temos um problema, com certeza, mas que não está no contratante. Se alguém tem um negócio, quer prosperar, juntar-se àqueles que desejam prosperidade. Alguém que busca excelência nas suas tarefas, por mais simples, recebe atenção. E é alguém que constrói para si a perceptividade mais positiva possível. Isso se expande, porque as pessoas conversam, comentam e lembram, quando necessário, de quem se destaca de forma positiva. Todos querem por perto aqueles que trazem soluções e evitam aqueles que trazem problemas. Sabedoria para qualquer área da vida. Quando há empenho total, os outros até torcem por você, até desejam participar e contribuir para o seu crescimento. E é assim, de pouco em pouco que se consegue, dentro dos negócios de outra pessoas, crescer e trabalhar para si enquanto trabalha para os outros. Na busca por crescimento é preciso estar sempre encontrando formas de valorizar o próprio passe. A mentalidade de se fazer nada além do combinado faz de você um estagnado, ressentido, mimado que acha que todos lhe devem algo seu de direito. Onde há senso de merecimento, eu procuro substituir por senso de gratidão. Minha experiência pessoal ensinou que as melhores oportunidades surgiram por criação minha, resultado de uma busca incessante pela excelência e, olha que coisa, por crescimento pessoal. Envolveram desejo, interesse e atitude. Somou necessidade, muitas vezes até desespero e vontade. Aliás, quanto mais necessidade, maior deve ser o empenho para provar o seu valor. Seja para oferecer produtos, seja para oferecer serviços. Na intenção de subir degraus e não ficar, para sempre no mesmo lugar, se faz o que for necessário pela notabilidade. Na ausência de reconhecimento e consequente crescimento, outras possibilidades precisam ser consideradas. E vivemos todos num mundo grandão. 8 bilhões de pessoas nele. Um monte de coisas podem ser criadas aí. Ninguém é obrigado a estar no negócio criado pelos outros. O foco em si mesmo é a chave. A mudança acontece lentamente e deve ser íntima. Pois, o processo de melhorar a mim mesma inclui melhorar o mundo a minha volta, nessa luta, sai todo mundo beneficiado.
Aí, eu li que uma menina pediu demissão logo no primeiro dia de trabalho. O título dizia que a demissão se devia a ela ter descoberto que teria de trabalhar oito horas. E os comentários eram os mais babacas possíveis. Por que ler a notícia quando posso simplesmente julgar os outros através de um título clickbait? Claro que não era simplesmente essa a história. Eram oito horas ininterruptas. Sem parada para almoço! E as tarefas, um pouco demais para uma pessoa só. Ela estava coberta de razão. Não era o combinado, saiu fora. A vida não é só trabalho. Lazer e descanso também são vida. Fazer nada, também é essencial. Por outro lado, tantos jovens conscientes de seu papel, de seu valor e ainda existe essa outra categoria que nasceu em 2000 e acha ter o suficiente para argumentar com pessoas que estão há décadas antes de sonharem em nascer, debruçadas sobre livros e práticas de um determinado assunto. Vêem graça em debochar do envelhecimento de pessoas já idosas, além de comemorar a morte dos outros. Sei lá, fico curiosa sobre o que eles acham que irá acontecer com seus corpos com o passar dos anos. Isso que dá viver demais no mundo virtual. Concluem coisas sobre pessoas que nunca viram na vida, na velocidade da luz, julgam e condenam, esses bundas sujas. Tão fragilizados a respeito do contraditório, anestesiados com a idéia de que os outros têm a obrigação de satisfazer cada pequena carência sua, cheios de poder desde que entenderam que ser vítima de alguma coisa os torna os reis do mundo e sendo constantemente satisfeitos pela Publicidade que maquiavelicamente os contempla com ilusões sobre o mundo ideal que eles pensam que conseguirão viver. Não aprenderam que no fim, não sairão nem satisfeitos, muito menos vivos disso.
Falando nisso, e Marcos? Simplesmente não sai da minha cabeça. Não sei como surgiu esse nome. Mas, o tempo todo, vem nos meus pensamentos. Já pesquisei a origem etimológica, li sobre as figuras históricas, procurei me lembrar dos Marcos que conheço ou conheci... Amigos... amigos de amigos... alunos... colegas... E o único Marcos que tenho contato próximo atualmente é uma criança. Aparece pouco, geralmente quando preciso encontrar algo perdido, e nem vivo é... Preciso ver com calma de onde vem isso, gente. Em mais de uma situação, quando um nome surgiu aleatoriamente na minha cabeça, algo importante aconteceu ou estava acontecendo. Na verdade, depois da última etapa que concluí no meu sacerdócio, sinto algo diferente no ambiente. No meu ambiente pessoal, espiritual, com certeza. Sinto com mais força a proximidade de quem está do outro lado, sinto facilidade em coisas que antes pareciam herméticas demais. Sinto uma leveza, um destemor e uma fluidez inexistentes anteriormente. Além da consciência de um amor transbordante por todas as pessoas queridas.
Com certeza outros pequenos assuntos e ramificações estavam perambulando pelos meus dias mas, até eu lembrar de outra coisa, por enquanto, é isso. Se quiser, desembole os fones de ouvido com pisca-pisca nessa música do Dream Theater aí, hahaha.