Recebo muitas mensagens diariamente. Apesar de nos últimos anos estar com pouco tempo para publicar e organizar a divulgação dos meus trabalhos de ilustração ou música, sempre tem um "oi", um "tudo bem?", um "estou precisando falar com você", um poema, textos autodescritivos que parecem propaganda de supermercado, uma figurinha, uma carinha sorrindo, um coração ou simples cumprimento a respeito de alguma pintura ou showzinho meu... E, quando respondo, procuro ser o mais breve possível. QUANDO respondo. Na esmagadora maioria das vezes evito responder por motivos que poderiam preencher uma bíblia.
Existem pessoas realmente admiráveis no mundo com quem eu gostaria de conversar, no mínimo. Mas, penso que, se de fato gosto delas, quero o seu bem. Logo, eu, alguém que elas na maioria das vezes sequer sabem que existe, não vou abordá-las sem ter algo que julgo muito bom para dizer. Esse simancol inclusive já me rendeu respostas de contatos que tenho vontade de emoldurar e colocar nas paredes aqui do estúdio.
No mais, as pessoas estão excessivamente, emocional e psicologicamente, quando não, economicamente, carentes, ou seja, doentes. Isso fica claro, entre outras coisas, em abordagens que me terceirizam a iniciativa de começar um assunto, a insistência em simplesmente ser notado. Na falta de atitudes que as tornem interessantes, recorrem à mendicância. Algo que redes sociais apenas amplificaram nas últimas décadas. E isso independe se tenho um real valor ou não. Em geral, as pessoas apenas fantasiam coisas mesmo depois de me "conhecerem" (me conhecerem hahahahaha).
Mas, e se, em vez de viver em função dos outros, bisbilhotando, seguindo cada passo de alguém que está simplesmente investindo em viver em paz, toda essa energia fosse direcionada para resolver a própria vida, criar, ser produtivo, trabalhar em sua própria saúde mental, física, financeira, intelectual, social? Será que não seriam eles mesmos pessoas admiráveis, interessantes ao ponto de outras os procurarem? Não estariam essas pessoas autossuficientes o bastante para sequer se importarem com serem notadas? E por isso mesmo, não seriam muito mais procuradas pelos outros?
Mas, e se, em vez de viver em função dos outros, bisbilhotando, seguindo cada passo de alguém que está simplesmente investindo em viver em paz, toda essa energia fosse direcionada para resolver a própria vida, criar, ser produtivo, trabalhar em sua própria saúde mental, física, financeira, intelectual, social? Será que não seriam eles mesmos pessoas admiráveis, interessantes ao ponto de outras os procurarem? Não estariam essas pessoas autossuficientes o bastante para sequer se importarem com serem notadas? E por isso mesmo, não seriam muito mais procuradas pelos outros?
Com mais frequência do que gostaria sou abordada por amigos, conhecidos ou desconhecidos que esperam algo de mim. Desde a introdução de uma conversa para se entreter, até a solução dos seus problemas. Para cada assunto, ofereço uma ou nenhuma resposta, no tom mais cientificamente correto que conheço: de mesma intensidade e direção contrária. Procuro ser prática, simples e direta. Sem incentivar o choro, convidando à atitude. A filosofia deve surgir da experiência, não o contrário. Porque na prática a teoria é outra.
Mas, apesar da energia investida em lhes conceder atenção, ajuda concreta e palavras, alguns só aprendem se fodendo. Sendo assim, quero mesmo é que se fodam. E que parem de criar dependências por aí, especialmente comigo! Tenho prazer em contribuir com o crescimento das pessoas, porém, quando vejo qualquer movimento no sentido de não conseguir viver por conta própria, sempre com uma necessidade muito grande de manipular, escravizar, possuir e controlar, descarregando toda sua carga emocional e psicológica em cima de quem vem pra contribuir, por não receber o que espera na hora em que espera, já tô arrumando minhas coisas e partindo o mais rápido possível. Seja adulto primeiro, pare de achar que alguém é obrigado a te dar alguma coisa, razão ou atenção que seja, depois podemos ser amigos.
Assim, não é raro, encontrarem em mim uma decepção muito grande. Fantasiam coisas a meu respeito... Acreditam ter visto algo em mim que nunca esteve lá... Confundem minha disposição para ajudar com disponibilidade 24h... Pensam que entenderam o que penso, o que gosto, o que quero, o que sou... Se ofendem com sua própria falta de habilidade interpretativa... Fazem análises equivocadas a meu respeito... E quando sentem que estão segurando vento, entram numa de acharem que ir cuidar de suas vidas é me dar algum tipo de troco. Da minha parte, quando isso acontece, me sinto enfim recompensada por ter oferecido tempo e energia em suas causas. Foram, finalmente, caçar um rumo e fazer coisas que os tornem realmente interessantes. Se, em algum momento, acharem importante voltar a me abordar, tenho certeza que trarão whisky, charutos e belas canções sobre as coisas que tiveram orgulho de realizar. E esse será um encontro que me interessará, valerá a pena não apenas para eles mesmos.
Humildade é saber seu exato valor, sem aumentá-lo, nem diminuí-lo. Quando vejo ex escravos que antes esperavam ME escravizar, tornando-se senhores de suas próprias vidas... se respeitando e consequentemente me tratando com respeito... depois de baterem no paredão de gelo que encontram aqui, sinto meu real valor. E começo a sentir interesse real por eles, não mais compaixão. Pois, finalmente passaram de obsessores a amparadores, entraram no grupo daqueles que somam no mundo.