Hoje eu sentei e pensei numa das minhas histórias. Numa que quero contar em quadrinhos. Há anos ela só cresce e se complica e se aprofunda, mas hoje...
Estou num processo de iniciação que começou... Nem sei dizer quando foi. Cada evento que me chega a memória remete a algum outro bem anterior e quando vejo já estou lembrando de sonhos e sensações, fragmentos de memórias antigos demais para dizer até a minha idade quando ocorreram.
Mas hoje... Sentei e chorei.
Às vezes tem coisas demais. E só isso. Um montão de coisas bagunçadas precisando de organização.
Fico pensando nessas crenças sobre artes e artistas... sobre profissionais de criação... ou simplesmente gente que pretende ser relevante, viver de forma relevante, produzir relevância... Ser de verdade. Pra quem vê de fora e tem um outro tipo de enfoque na vida parece tudo tão fácil, glamouroso, suave, indolor... Não prestam atenção na inquietação, que todo ser humano sente, provocada pelo surgimento da semente de uma idéia. Isso diferencia um artista. Artistas estão conscientes ou são apenas mais sensíveis a essa inquietação. E sentem um impulso de fazer algo a respeito. Não é uma questão de escolha. É uma necessidade. Como comer e dormir.
Comigo é sempre estranho, dolorido e tempestuoso. Mas, cada vez que acontece eu entendo por quê ainda estou aqui. E parece que quanto mais consciência, mais os eventos vão ganhando em importância. A sincronicidade aumenta. De repente, minuto a minuto tudo ganha relevância e se torna decisivo para o que vem a seguir.
A resistência. O abuso. A violência. A morte. O medo. O abandono. A queda. A pintura, o desenho, a música, o texto... Os sorrisos e as lágrimas. O amor. Os amigos. O fim do mundo. Os 13. A mão esquerda. Set. Asmoday. Xepher. O momento em que a primeira pessoa olhou para uma coisa e pensou que poderia ser outra. A imagem. O vendaval. Bobby McGee. Billie Jean. Hallelujah... E mais tantas coisas... tudo misturado.
Tem sido bonito.