Até o dia 22 deste mês preciso escrever uma carta. Eu inventei esse prazo. E resolvi por conta própria que escreverei. Coisa minha. O fato de ser o dia do meu aniversário de 35 anos não é mera coincidência.
Preciso terminar de ler um livro antes. Mas, já está decidido.
Pode abaixar as sobrancelhas. Só demoro a decidir, não significa que não tenha aptidão para a coisa. Há de se convir que decisões podem ser coisas muito sérias. E o costumeiro ritual que consiste em analisar cuidadosamente todas as variáveis e diminuir a margem de erro é importante. Então, às vezes dura anos. Mas, tá aí a prova, tomo decisões sim.
No caso as dificuldades são:
:: Como escrever para convencer alguém de que você não se importa em convencer as pessoas?
:: O que escrever numa carta cujo objetivo é receber autorização para ser avaliado por até dois anos e, então ter a possibilidade de participar de um grupo que é contra a concepção de que devemos sentir a necessidade de fazer parte de grupos?
:: Qual dos eventos importantes da minha vida posso eleger como a justificativa que me levou ao ponto de escrever esta carta?
:: O que poderei dizer para conseguir adesão num grupo que consta de menos de 500 pessoas no mundo todo e que ainda hoje menos da metade dos interessados consegue ingressar?
:: De quanto será o limite de perguntas que poderei fazer nesta carta para alguém que dá especial valor às perguntas, sem saturá-lo?
:: Como manter a naturalidade e não se intimidar diante de um Phd em Ciência Política, ex-oficial de inteligência do exército especializado em guerra psicológica, que escreveu um livro no período em que serviu na guerra do Vietnam, e idealizador do grupo? Mas, ao mesmo tempo, demostrar a autoconfiança, característica essencial aos adeptos, e o estranho ímpeto que me levam a crer que devo escrever essa carta?
:: Como se distinguir de um mero curioso através de simples palavras?
:: Como não se preocupar com o que não depende exclusivamente de você, quando as palavras são perfeitas para não comunicar exatamente o que precisamos?
É... Esquece o que disse sobre decisões...