domingo, 29 de dezembro de 2013

Pilatos

Neste jardim de infância que o mundo, em muitos momentos, parece ser, em algum ponto, em algum nível, tudo vira competição. Às vezes é uma questão de você contra o outro, às vezes é só você contra si mesmo, não importa. A insatisfação com o que se tem, o foco na falta, a vontade de ter mais, a cegueira para as bençãos, vêm com um treinamento iniciado bem cedo. Quando isso começa não é o ponto aqui, além disso, a mente por si só, é negativa. O ponto é aquele momento auto-sabotador, quando a vaidade, já bem sólida, mas sempre tão frágil, se sente ferida e a partir daí a intenção é a revanche, a dor, o sangue e as lágrimas de alguém. Neste momento fica claro o quanto o orgulho pode fazer de você alguém que se acredita completamente sem esperanças e desmerecedor de qualquer coisa boa. Você está competindo, está com raiva de si e de todos, não está se responsabilizando pelo que é, faz e sente, está culpando os outros, o destino, os deuses, os astros e assim lava as suas mãos, sem pensar sobre o fato de que elas estavam sujas, e passa a se sentir impotente, sozinho, mesmo num mundo com sete bilhões de habitantes, pois a sua mesquinhez não te permite nem amar, nem ser amigo de ninguém.

sábado, 28 de dezembro de 2013

No Labirinto do Fauno


Brilhando nos olhos daquelas noites de angústia. Agitadas. Bem no coração da loucura espelhada em lágrimas guardadas. Lá, onde o Sol nunca toca, a luz nunca chega. Onde estão soltas a dor, a saudade e a indulgência. Há três tesouros enterrados: o primeiro é o amor, o segundo a coragem e o terceiro a linha tênue entre teimosia e persistência.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Dia do Mestre

"Desde o início da minha vida, até agora, eu percebi que de fato só existem dois tipos de pessoa neste mundo: aqueles que estão a seu favor e aqueles que estão contra você. Aprenda a reconhecê-los, pois eles são freqüentemente e facilmente confundido uns com os outros." 

sábado, 21 de dezembro de 2013

Dia de Traçar Metas



"Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado." 

(William Shakespeare - Sonho de uma Noite de Verão)


Alegria, força e sonhos realizados para todas e todos nós.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Parece até alguém...


...que eu conheço e que adora um drama.

"PORRA!"

Tem situações que já são difíceis e absurdas sozinhas.  Lá, condenadas ao congelamento do passado. Mas dizer que não tem como piorar é subestimar demais o universo. Sim, sempre tem como ficar pior. Tristeza duplica o peso de qualquer coisa. Raiva eleva à décima potência. Mas, nada transforma tudo numa tempestade de merda tão bem quanto o orgulho e consequentemente a falta de sinceridade. Isso só atrapalha a visão, ata as mãos. E aí, fica bem difícil quando, diante da pior atitude possível, o reconhecimento sincero do erro e a ação conciliadora, a boa vontade que denota humildade, ficam de lado em prol da sua auto imagem. Que inclusive é falsa. Para não dizer patética, digna de pena. Depois de mostrar o pior de si, a arrogância permanece e diz que agora sim está tudo bem, se sente aliviada e vai se afastar porque não consegue entender... Quando na verdade, entende muito bem, só que ser vingativo, punitivo, sair aparentemente "por cima" e agir com escapismo, foi tudo o que se aprendeu em algumas décadas de relacionamentos problemáticos, pouca reflexão, muito escapismo e atitudes duvidosas. Tem coisas que só sendo muito cego para não notar. E existem tantas formas de cegueira... Mas, por mais clichê que possa parecer, é uma verdade: o pior cego é o que escolhe não ver. 

Ainda bem que levo muito pouco as palavras dos outros a sério. Foco no que eu quero sinceramente fazer, não em sair com uma imagem orgulhosa intacta e um ar de superior. Pra mim grandeza de espírito e imagem admirável tem mais a ver com silêncio, respeito e atitude do que com descontrole, birra e passividade. Pois o mesmo que disse ontem "não quero te entender só amar e respeitar" pode ser o mesmo que diz hoje que "não está entendendo nada, não está funcionando desse jeito e por isso vai se afastar"... E se eu acreditar nisso, se eu sequer parar para ouvir, se sentir sinceridade nessas palavras, e em tantas outras, simplesmente me levanto e volto para casa com toda a leveza que só aqueles que fizeram de tudo, que deram 100% de si, que jogam junto, sentem. Se preferir vencer uma discussão, "não baixar a crista", a resolver um problema de forma sincera e satisfatória para todos, já posso considerar a possibilidade de problemas sérios de habilidades sociais ou de idiotia. O que é sempre muito mais preocupante do que, apesar de uma patologia mental, as limitações biológicas de alguém com um mínimo de boa vontade.

Em outras palavras, não deixar o seu comportamento imaturo, seu ego infantil, abaixo do que realmente sente e quer fazer é no mínimo covardia, no máximo ignorância... Não tomar um movimento reparador, não buscar a iniciativa de conciliação, de solução, especialmente quando é para manter algo que para você importa muito... Não há confiança que se mantenha intacta depois disso. Fugir por vergonha de um erro cometido é uma das maiores besteiras que se pode fazer na vida e eu já vi isso acontecendo tantas vezes... Precisei lidar com isso de tantas formas... Mesmo assim ainda dói bastante ser sempre aquela que se mantém iluminada quando tudo mais escurece... 

E é desnecessariamente violento e sombrio receber um balde de água fria enquanto se está apenas tentando ficar em paz, quieta. E não tem nada pelo qual eu tenha menos respeito do que pensamentos e atitudes passivo-agressivas. Exigir que o outro deixe de fazer o que quer, ou exigir que faça algo que você quer, só porque você quer e ainda num tom autoritário, seguido de repreensão? Tem atitude mais passiva, anti sedutora e egoísta? Você cria as expectativas, exige que o outro as cumpra, o repreende porque ele se recusa e ainda se descontrola irremediavelmente se ele insistir em reclamar? E ainda o ameaça, se faz de vítima, envolve outras pessoas e diz com o peito estufado e a maior tranquilidade que, foi bom o ocorrido, se sente aliviado, liberado e satisfeito com isso? Não percebe o quanto tudo isso é absurdo e covarde? "Pára de fazer isso. Por que? Porque eu quero." Hã? Como assim? Não é melhor ir fazer o que você quer de uma vez e ver se o outro tem interesse em te acompanhar? Não é mais maduro, sensato e respeitoso? Assinei algum contrato dizendo que sou obrigada a fazer ou deixar de fazer o que você quer, simplesmente porque você quer? Não é mais inteligente e elegante seduzir em vez de exigir feito criança mimada?

Piora quando além de tudo isso, ainda permanece aquela velha conhecida posição de vítima, as justificativas, as tentativas de causar um sentimento de culpa... A falta de bom senso em, apesar de estar completamente errado, esperar que seu lado seja considerado... Ainda assim agir com arrogância, como se estivesse cheio de razão, até o fim! É tão surreal que chega a ser inacreditável! Delegar ao outro, sim, àquele que apenas sofreu todas as consequências das suas piores atitudes, o papel de conciliador? Esperar boa vontade e compreensão daquele a quem você oprimiu? Por medo de ouvir um não, de ser recusado com todas as letras? Contar que o outro, e apenas ele, tenha a grandeza de espírito de compreender, relevar, resgatar, apaziguar e persistir, com todos os seus problemas e fraquezas e histórico e restrições, pois caso contrário sua decisão será fugir como um ladrão envergonhado, de mãos vazias, sem conseguir carregar seus espólios? Quão opressor e injusto isso é? O que é preciso para seguir adiante ainda assim? O que é preciso para não se sentir violentada diante deste quadro? 

Bom, faço de tudo. É assim quando me importo. Faço o que for necessário. Não aceito menos do que a paz e a harmonia. Vasculho minhas melhores lembranças. Elevo meu espírito com danças e canções. Lanço feitiços. Realizo rituais. Profiro palavras mágicas. Consagro amuletos. Pinto, escrevo, crio histórias, corro... Me ponho em movimento. Lembro do meu caminho. Esqueço, relevo, reflito e perdoo. Reviro meu coração. Olho bem nos meus olhos, me encaro de frente. E sei que sempre acabo encontrando, em algum lugar, de algum modo, a esperança perdida nessa bagunça toda. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Romantismo Concreto

- Que foto bonita é essa?
- Ah, bonita nada... Agora eu acho todas as fotos feias.
- Iiiih... Virou nerd de fotografia agora é?
- Nerd nada! Só que agora eu sei de algumas coisas e vejo que essas fotos estão todas erradas, acho uma droga.
- Droga nada... Não tem como ficar uma droga se você está nela.
- Aaaaah... Que amorzinho... - Estico a mão pra tocar no ombro dele enquanto joga COD. Ele pega minha mão e beija.
- Você é Dmin... Hmmm... Que cheirinho bom! 
- É que acabei de lavar a mão com aquele sabonete novo.
- Tá tão cheirosa... Nem parece que acabou de ir limpar a areia da Salsa. - Beijando a minha mão!
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Nossa, Jack... Quanta poesia... Que romântico você...
- Rapá, é o romantismo pós moderno.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHA!
- Você estuda essas coisas aí... Deve saber do que tô falando... - Sem tirar os olhos do jogo!
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Ai, caraca, vai começar...
- É o romantismo CONCRETO! Sabe como é...
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
- O que você tá fazendo?
- Sai! Não olha! HAHAHAHAHAHAHAHA!
- Alá! Sou foda! Sou tão foda que já vou ser publicado em tempo real... Hahahahahaha... Alá...

sábado, 14 de dezembro de 2013

O Poder do Silêncio

É tudo tão bom quando está tudo bem. Explodo ainda, claro... Disse que está tudo bem, não que mudei de personalidade, oras! Mas nesse caso, é em campo aberto, a explosão não destrói, cria. O fogo não queima, só aquece e ilumina. Há quanto tempo não me sinto assim? Até mesmo minhas idéias estão mais brilhantes, sonoras e visuais... menos verbais, menos analíticas, menos tensas... Estou, por exemplo, sem palavras diante dessa tela. E isso é novidade. Sempre tenho tudo na ponta da língua... Mas, me obrigo a escrever. Não quero deixar passar os melhores momentos em branco. Assim parece até que sei apenas ser séria e triste com as palavras. Isso não é verdade. Está de dia, as horas são mais bem humoradas, claras e pode ser que eu precise da lembrança desta paz quando for noite outra vez. Então venho, depois de uma longa noite escura, só para registrar um retrato feliz. De paz, de silêncio e de luz. Agora o próprio título e a razão de ser deste espaço aqui volta a fazer mais sentido. Pensei primeiramente em deixar de vez em quando alguns textos curtinhos, sobre coisas que penso, que fossem bons por um minuto e neste último ano não poderia ter sido mais prolixa e confidente. Não era essa a intensão inicial, mas... A confiança enfim retorna e caminho com um pouco mais de otimismo e até entusiamo. É bom quando o fogo pode queimar livremente e a água escorrer tanto quanto desejar... Bom quando o vento rola sem aparos e o terreno respira sem sufoco. É bom quando tudo é luminoso e suave. A Primavera foi boa... Aprendi tantas coisas. Enterrei, não sem ajuda, um pedaço do céu carregado que tolamente guardei e sustentei sozinha durante o ano. Sem lápide. Sem epitáfio. Sem lágrimas. E recebo agora de volta todas as bênçãos dedicadas ao fogo de Belenos, tudo o que aquele entrave me impedia de ver. Era um pedaço do céu onde eu não podia brilhar. O pedido a Eu foi atendido, meus olhos e ouvidos bem atentos foram recompensados e meu coração se abriu como uma flor para essa existência outra vez. Eu sabia que aquela gaita era um bom agouro... Passei uns dias longe de casa, nas montanhas... Dias de luz, calma e silêncio... Recupero uma direção, um caminho, uma força... Volto a ver as estrelas bem de perto... Há muito trabalho a ser feito e o bom é que quero fazê-lo. Eu quero! São grandes e boas as possibilidades. O talvez nunca foi tão bem vindo... As reticências aparecem aos montes, a respiração está calma, o sorriso sereno, o sono com poucos sonhos e as palavras escassas. Pois, a tristeza tende à eloquência, mas a verdadeira alegria é silenciosa. E o segredo dos segredos é que eles são mais poderosos quando só nós sabemos sobre ele.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Sem controle

"Não, o melhor é não falares, não explicares coisa alguma. Tudo agora está suspenso. Nada aguenta mais nada. E sabe Deus o que é que desencadeia as catástrofes, o que é que derruba um castelo de cartas! Não se sabe... Umas vezes passa uma avalanche e não morre uma mosca... Outras vezes senta uma mosca e desaba uma cidade." 

(Epílogo - Mario Quintana - Sapato Florido, 1948)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Carta Zero

Eu atraio pessoas loucas. Eu sou louco, é por isso. Mas as pessoas loucas são maravilhosas. Elas são as únicas pessoas sãs no mundo.

(Osho)

domingo, 1 de dezembro de 2013

"Kami Chan"

Durante o dia é mais fácil enxergar. Isso é o que sempre diz o sensei, especialmente para mim. E ele tem um jeito próprio para lidar com cada aprendiz. Categoriza-nos em elementos de centro e elementos de periferia. O meu centro, Ar e a periferia, Fogo, aparecem no meu modo de lutar sob condições de perigo real, ou desatentamente respectivamente. De fato, é realmente visível a diferença e, claro o contexto de confronto corporal é só um em meio a tantos outros que a vida nos coloca. Então, no meu caso, quando é noite, não estou pensando direito, tá tudo muito nebuloso, ajo com o lado mais sombrio da qualidade ígnea. Sou estúpida, brusca, exagerada, obcecada, precipitada, quente... Reconheço. E nos momentos que precedem o amanhecer, durante a hora mais escura, posso ser a própria encarnação do Balrog de Moria. Mas, é só até o Sol nascer. E ele sempre nasce. Às vezes parece que demora um ano, mas lá está ele iluminando tudo outra vez. Não me levo tão a sério por tempo demais, afinal. Faço de um erro uma oportunidade, uma piada nova para contar.

Infelizmente, com o tempo, a gente aprende também que o Sol não ficará alto no céu por muito tempo. Logo logo voltará a ceder espaço para a noite. A maestria está em aprender tudo o que puder durante o dia para que, quando a noite chegar outra vez, seja possível saber onde exatamente está guardada cada coisa, onde estão os terrenos inclinados, os caminhos escorregadios, os riachos... E usar a periferia do nosso ser, o ego, para criar uma sombra temível, mas apenas isso. Pois, o centro precisa estar presente todo o tempo. Não podemos nos perder dele. A tendência é que isso fique cada vez mais fácil com os olhos bem abertos diante das experiências a que nos submetemos. Quanto mais estranhas e difíceis, melhor. Mas, as decisões devem ser tomadas apenas durante o dia. Nunca de noite. 

Para mim, sermões, esporrinhos e lições de moral, não funcionam desde meu primeiro ano de vida. Não reconheço autoridade em quem não sabe conquistá-la. Nasci antes da hora, numa família que nunca me desejou de verdade e foi obrigada a suportar a minha recusa à conformação, às imposições e tentativas de moldagem por 22 anos. Foi e tem sido difícil ser eu mesma, viver por conta própria, mas meu  irmão morreu num aborto que deveria matar a nós dois e com isso enganou a todos a respeito da fatídica gravidez, salvando assim a minha vida. Então, só me resta ser grata, porque nenhuma merda que tenha acontecido ou venha a acontecer será maior do que terem me deixado descobrir isso. Algumas até foram páreo duro, mas isso continua sendo imbatível. E 22 é o número do Louco, presente na minha vida de diversas outras maneiras... Aquele que está no início ou no fim de um ciclo, um inocente ou um sábio, ou os dois, já que não tem essa de início e fim... 

Ah, mas a vida é de uma simplicidade encantadora mesmo... Durante o dia é fácil notar. Entretanto, as pessoas... essas nunca são simples, até escaparem do ciclo, evento raro. Têm segredos, bons, fortalecedores e maus, sabotadores; têm mistérios, infinitos, e são capazes de coisas maravilhosas tanto quanto o são das mais estúpidas atitudes. São milagres que nada fizeram para receber a vida, mas vivem. Nunca fizeram qualquer esforço para existir, mas existem, independente de sua vontade, e por isso deveriam todas apenas ser muito gratas, pois qualquer coisa que aconteça é, de certa forma, lucro, empurra pra cima e para frente. 

Portanto, embora eu seja assim tão mental, não é possível, para mim, aprender com direcionamentos exclusivamente verbais, regras, menos ainda acompanhadas de tapas, pontapés e esperneios. Preciso viver, ir até lá e ver o que acontece com meus próprios olhos. E, sempre haverá quem se lixe pra isso, se colocando numa posição de superioridade, se acreditando muito centrada, amadurecida, sem falhas e patetices, e às vezes me dou muito mal quando imagino que receberei o carinho, a compreensão e a paciência com a qual costumo receber aqueles que a vida põe no meu caminho, apesar de todos os seus demônios. Minha guarda nunca foi das melhores, mas a resistência surpreende até a mim mesma e o contra ataque é uma habilidade especialmente notável. Levanto até depois de uma queda de cinco andares ou doses cavalares de drogas, anestesias... e depois... sempre tem um level up precedido de um fatality. Às vezes até um Flawless Victory.

Mas, nem foi tanto o caso agora. Nada de Perfect. No entanto, "envelheci dez anos ou mais, nesse último mês." A última valsa foi daquelas que Chopin gostava de compor, demoradas, cheia de notas, todos os dedos ocupados em todas as oitavas do piano. Fora que a partitura na minha frente parecia ter sido posta pela Rainha de Copas, estava de cabeça para baixo. Assim, perspectivas apontaram como problemáticas características minhas que até já foram bastante elogiadas e precisei aprender outras maneiras de fazer as mesmas coisas. Aprender junto é muito mais simples, mas não foi o caso. Estava sozinha numa peça para quatro mãos. Até aqui! Pois, essas últimas semanas me trouxeram a oportunidade de ver do alto o que acabou me vendando e prendendo a um ritornello sem fim. Assim como no mês passado, vi se manifestar na minha frente minhas próprias atitudes, pensamentos e sentimentos fora de ritmo... Vi a mão pesar em pianíssimos, e Allegros Agitatos roubando a vez de Andantes Cantabiles... Vi aquelas qualidades sombrias do Fogo voltando em minha direção e entendi perfeitamente o que não dá certo em determinadas composições. 

Agora está tudo suficientemente compreensível, com o Sol em Sagitário prestes a trazer a aurora novamente. E sinto especial alegria em compartilhar isso porque fui capaz de tratar o caso com a presença de espírito que eu gostaria que tivessem tratado as minhas ações imaturas e a minha confusão. Não fugi, nem me escondi, não me constrangi, não deixei de ser natural, não fiz pouco caso, não culpei, não rotulei, nem larguei à própria sorte alguém que claramente precisava de uma mão para virar a página e voltar mais confiante na próxima etapa. Vou procurando ser, eu mesma, um sinal de boa sorte, uma bênção. E isso me obriga a me recompor rapidamente, dar um exemplo preciso. Foi uma emergência e as melhores qualidades de Ar precisaram entrar em ação. Então me dispersei, flutuei, fui suave, compreensiva, paciente, tranquila e eficaz. Também usei do Fogo a melhor parte: eliminei com rapidez e eficiência os entraves. E o desfecho não poderia ser mais satisfatório: da lama retirei 538 estrelas, recebi um nome, um local, três objetos de poder, ganhei xp e novas possibilidades. É novamente tempo de celebrar!