quarta-feira, 31 de julho de 2013

Saber amar...


Um travesseiro acende quando a outra pessoa deita no dela. Fofo, ou nem tanto.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Essa Noite Não

Essas coisas, você sabe. Parece que não consigo entrar em nada. Tudo travado. Todas as cartas tomadas. Eu não me ligo em política nem religião, nem seja lá o que for. Realmente não sei o que está acontecendo por aí. Não tenho TV, não leio jornais, nada disso. Não sei quem está certo ou errado, se é que isso existe. 

Charles Bukowski

terça-feira, 23 de julho de 2013

Doze Canções


Doze esferas, doze meses do ano solar, doze horas diurnas, doze horas noturnas, doze signos e doze casas. O cenit do Sol. Doze animais num ciclo de doze anos, doze Virtudes de Ouro. Doze graus cromáticos. Doze vezes 30 graus na circunferência. Múltiplo perfeito de três, a tríade de elementos essenciais para a transformação da matéria bruta, mercúrio, sal e enxofre. Os quatro elementos em equilíbrio. A perfeição, o perfazer, o circular. O passional, as paixões e a renuncia pessoal. A formação, a criação, a emanação e a ação. O pensamento e a mente, o material e o espiritual. A saúde perfeita, a essência a evolução e o desenvolvimento. Um símbolo de pleno sentido. O justo equilíbrio, a prudência, a forma graciosa. O harmônico, os Peixes, a saída de cena, o grande desfecho.  O Pendurado. O sacro ofício. Nos 12 primeiros arcanos a chave do total de cartas. No décimo segundo mês lunar peregrina-se à Meca. Doze são os grupos de deuses caldeus, etruscos e romanos. O sistema decimal de Atenas e os 12 deuses da República platônica. Doze deuses japoneses ancestrais. Doze divisões do céu etrusco pelas quais o sol passa todos os dias e doze províncias. Os doze nomes de Odin, as doze letras do nome do deus judeu. Às doze horas Adão e Eva foram expulsos do Paraíso. Em cada uma das doze portas da cidade de Jerusalém doze anjos. Doze tribos de Israel, doze pedras preciosas do peitoral do sumo sacerdote, doze estrelas na coroa da mulher celestial, 12 vezes 12.000 eleitos. Doze discípulos de Jesus, doze frutos do Espírito Santo, doze filhos de Jacob, doze vezes apareceu o Cristo depois de morto. 

Aos doze fui, pela primeira vez, professora de piano, aos doze recebi meu primeiro pagamento e, assim, aos doze pude pagar um curso de dança. Há doze anos tive meu último namorado, há doze anos ele deu meu contato para um guitarrista e há doze anos minha banda surgiu. Há doze anos sou fã desse cara da guitarra. Há doze anos fazemos todo tipo de coisa juntos. Há doze anos iniciamos um papo, um passeio, um abraço, um beijo, uma piada, uma música, uma implicância, uma idéia. E assim se formou a parceria de adamântium. Mas, por mais perfeição que o doze possa indicar, bléh, doze é muito pouco. Doze anos?! Sério?! "Sabe que nem vi o tempo passar?" Há doze anos essa é a frase mais repetida. E assim, naturalmente, fugimos de clichês do tipo "eu te amo," "namorados", "casados"... Afinal, é tão óbvio, que quando é dito soa como "você é a pessoa mais legal que eu conheço", ou "não tem ninguém com quem eu goste mais de conversar", ou "ainda bem que você existe", ou "seus olhos são castanhos". Há doze anos uma mão se estende quando caio, há doze anos uma voz grita para me reanimar depois de um forte golpe, há doze anos é bom tê-lo por perto mesmo que para ficar só em silêncio, há doze anos a mania de jogar coisas para o alto me dá nos nervos, há doze anos pensamos bem antes de nos decidir, há doze anos cozinhar não parece tão chato, há doze anos espero ansiosa para mostrar para ele qualquer coisa que eu tenha feito, há doze anos se mexer com ele mexeu comigo doze vezes, há doze anos quando eu "rezo" acontece, há doze anos ele sabe que eu estarei lá, com todo o meu coração, toda a minha atenção, todo o meu orgulho, todo o meu sorriso, todo o meu carinho, todo o meu amor, todo o meu tempo, todas as minhas posses, toda a minha vida, todas as minhas armas. E que doze é o meu calibre favorito.