segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

"Escreve... Vai compor..."

Minha relutância em acreditar nos absurdos é um problema crônico. Eles existem e estão o tempo todo me deixando sem palavras, ou ações. Às vezes o óbvio é só o óbvio, por mais absurdo, e, estando ali o tempo todo, tende a ser esquecido. Aquele clichê, completamente inverossímil, é exatamente isso aí. Acho que passo tanto tempo estudando técnicas de roteiro, analisando narrativas e vendo teorias se confirmarem, que acabei perdendo o tato para esse caos, mais estranho que a ficção, chamado realidade. Então, por mais que eu aguarde pacientemente por um resultado justo no tribunal da Raínha de Copas, ou espere pelo momento em que William Wallace aparecerá no horizonte pra salvar sua amada, é só isso mesmo. Não adianta florear, enriquecer a psicologia do personagem, procurar pela surpresa. A estrela quer ser bajulada. O artista depende de aplausos. O filho caçula está acostumado a ter o mimo de todos. O professor não pode admitir que não sabe. O jovem orgulhoso não pode receber críticas. O covarde corre ao primeiro sinal de problemas. O moleque resolve ir embora depois de saber que não terá o esperado. O perfeito se leva a sério demais. O arrogante não tem tempo para ouvir você. O conquistadorzinho não quer ser seu amigo. O frio e calculista não sente nada, por isso não demonstra. O interesseiro não se interessa por você. E tudo se resume a sexo, mentiras e egoísmo. Mais uma vez.