Os acontecimentos vêm sempre num estouro de represa na minha vida. Deixo muitas coisas de lado e gosto de pensar que de fato elas morrem se eu não lhes der atenção. Sumirão se eu fechar os olhos. Sim, aquilo que não recebe energia morre. Mas a questão aqui é: será que eu abandono essas coisas de verdade? Deixá-las trancadas no porão não é abandonar, é guardar. É acumular. E o espaço ali não é infinito, às vezes aquela porta no fim das escadas estoura e o que quer que saia dela vem de forma violenta. Tudo de uma vez. Como represa. E geralmente não há nada que se possa fazer para evitar meu afogamento.
