domingo, 5 de fevereiro de 2012

Dois

Há dois anos, nasceu o retrato, e não houve testemunhas. Fruto de um período conturbado, em que eu estava cansada de dividir meus pensamentos com quem não interessa, mas nem um pouco cansada de escrever. Fechei o outro diário, abri esse, e é engraçado como essa data me traz reflexões. Nada demais, só mais um bloguizinho para alguém transcrever a própria vida. Há um ano, eu disse que "continuo ansiosa, o dinheiro ainda é pouco, o mundo cada vez mais sem graça, as pinturas já formam pilhas acumuladas para terminar, o calor está outra vez uma tristeza e continuo esperando para ver o que vem a seguir na faculdade"; dessa vez não vou cometer este erro. Essas coisas ainda estão presentes e pouco mudou. Minha vida não se tornou, em um ano, nenhum filme de ação. Nem de comédia. Mas algumas transformações realmente profundas ocorreram e continuam ocorrendo. Não farei, portanto, comparações nem criarei expectativas. Se no ano passado eu não estava assim tão feliz por onde eu me encontrava e pelas pessoas que faziam parte da minha vida, tenho hoje a sensação de que nada mudou muito, e algumas coisas até estão bem piores para ser bem delicada. Pessoas mais saíram do que entraram. Preferi assim. A minha concha se abre cada vez menos para ver o que há e sigo imersa em meus próprios planos. A mágica da minha vida é que quando alguém se vai é por alguma iniciativa minha, e por isso não ficam saudades. Por outro lado, minha caminhada interior tem sido muito rica, assustadora, mas surpreendente, estar sozinha trouxe-me introspecção, suavidade e silencio. Embora a tristeza ainda chegue de fora. Mas gosto de olhar para este pequeno espaço de bytes e pixels, não por achar que meus textos são sensacionais ou que o Retrato é irretocável, mas por saber porque ele foi criado e o que já testemunhou. As mesmas recomendações ainda valem. Dois é só o começo.