quarta-feira, 31 de julho de 2013
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Essa Noite Não
Essas coisas, você sabe. Parece que não consigo entrar em nada. Tudo travado. Todas as cartas tomadas. Eu não me ligo em política nem religião, nem seja lá o que for. Realmente não sei o que está acontecendo por aí. Não tenho TV, não leio jornais, nada disso. Não sei quem está certo ou errado, se é que isso existe.
Charles Bukowski
terça-feira, 23 de julho de 2013
Doze Canções
Aos doze fui, pela primeira vez, professora de piano, aos doze recebi meu primeiro pagamento e, assim, aos doze pude pagar um curso de dança. Há doze anos tive meu último namorado, há doze anos ele deu meu contato para um guitarrista e há doze anos minha banda surgiu. Há doze anos sou fã desse cara da guitarra. Há doze anos fazemos todo tipo de coisa juntos. Há doze anos iniciamos um papo, um passeio, um abraço, um beijo, uma piada, uma música, uma implicância, uma idéia. E assim se formou a parceria de adamântium. Mas, por mais perfeição que o doze possa indicar, bléh, doze é muito pouco. Doze anos?! Sério?! "Sabe que nem vi o tempo passar?" Há doze anos essa é a frase mais repetida. E assim, naturalmente, fugimos de clichês do tipo "eu te amo," "namorados", "casados"... Afinal, é tão óbvio, que quando é dito soa como "você é a pessoa mais legal que eu conheço", ou "não tem ninguém com quem eu goste mais de conversar", ou "ainda bem que você existe", ou "seus olhos são castanhos". Há doze anos uma mão se estende quando caio, há doze anos uma voz grita para me reanimar depois de um forte golpe, há doze anos é bom tê-lo por perto mesmo que para ficar só em silêncio, há doze anos a mania de jogar coisas para o alto me dá nos nervos, há doze anos pensamos bem antes de nos decidir, há doze anos cozinhar não parece tão chato, há doze anos espero ansiosa para mostrar para ele qualquer coisa que eu tenha feito, há doze anos se mexer com ele mexeu comigo doze vezes, há doze anos quando eu "rezo" acontece, há doze anos ele sabe que eu estarei lá, com todo o meu coração, toda a minha atenção, todo o meu orgulho, todo o meu sorriso, todo o meu carinho, todo o meu amor, todo o meu tempo, todas as minhas posses, toda a minha vida, todas as minhas armas. E que doze é o meu calibre favorito.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Jack of Spades
Eu poderia escrever, posso e vou, incansávelmente sobre o meu favorito. Hoje é seu trigésimo aniversário, dos quais em doze deles tive a honra de estar presente. Caramba! Quanto mudou e quanto permaneceu daquele cara desajeitado, cabelos bagunçados e de aparelho nos dentes, que faltava o curso de inglês e a faculdade para bater papo e me ajudar com o peso do teclado e de tudo mais? O que ficou sem dizer, durante todo esse tempo àquele que me acompanhava de noite até a casa e me manteve pelo menos um pouco da sanidade enquanto um furacão devastava todas as minhas certezas? Tantas vezes agradeci. Repito toda vez que o encontro o quanto me considero sortuda por conhecê-lo. Já falei de todas as formas possíveis, com todos os gestos, com canções em todos os tons e modos. Com o meu silêncio. Até mesmo através de minhas escolhas e decisões. E nada pareceu dar conta de mostrar tudo o que há aqui dentro e que é direcionado exclusivamente à ele. Cada conversa é como se fosse a primeira, cada gargalhada, cada piada, até as músicas que tocamos juntos parecem novas e melhores em todas as vezes... Eu só tenho coisas boas para falar dele e é o único no mundo a quem defendo sem condições. Já me perguntaram com certo desdém: ah, então ele é perfeito? E eu só pude responder que é sim. Perfeito e muito mais. Porque até mesmo as imperfeições são apenas uma questão de perspectiva. Há claro, umas duas ou três razões para pendurá-lo de cabeça para baixo e deixá-lo assim por umas duas ou três horas. Mas, será possível? Até mesmo esses demônios são engraçados ou admiráveis, apesar de perigosos. Os sapatos são posicionados milimétricamene no centro de qualquer cômodo. Os panos de prato sempre serão os indicativos de sua presença na cozinha. As guitarras são metalmelódicamente firuladas no meio das músicas. A paciência para as pessoas é inexistente. A delicadeza com as coisas e a disposição para consertá-las são nulas. Me acorda para matar baratas e afins. E o primeiro milhão ainda não saiu. Mas, quem se importa? Se ele ouve cada uma das minhas razões para morrer e as converte em razões para matar? Se ele não me deixa dormir sem antes gargalhar com alguma de suas pérolas da meia noite? Se dele só recebo atenção, carinho e o que ele tem de melhor para dar? E se não existe alguém no mundo que eu compreenda mais, que eu ame mais, ou faça mais questão de ter por perto? Além disso, é tanta força de vontade, tanta dedicação, tanta persistência, tanta inteligência e criatividade, tantos prêmios, plágios e até censura... Só posso dizer que quando crescer, quero ser igual a ele.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Aos 51!
Hoje foi o aniversário do meu pai. E ele é dessas pessoas sobre quem se pode passar o resto da vida redigindo um texto de reclamações a respeito e ainda faltaria o que escrever. Mas também é dessas pessoas que quando você chega em casa está jogando Mario Kart usando capacete de verdade, berrando igual um maluco junto com sua irmã e ainda te desafia para uma partida. Logo você que, ao contrário dele, sabe jogar videogame! Também é dessas pessoas que viram uma caixa de siris vivos dentro do escritório no trabalho só pra ver a reação de quem entra. E ainda leva um sirizinho para passear no shopping amarrado por um barbante e discute com os seguranças porque "se cachorro pode, siri também tem que poder". É dessas pessoas que aparecem na sua casa com quilos de todo tipo de legumes e frutas que ele resolve plantar no quintal... Dessas que estão bem de vida, mas passam o carnaval vendendo latinha de cerveja e refrigerante na casa de praia "pra pagar a viagem". Também é dessas pessoas que param com você, sua mãe, sua irmã, o cachorro e seus amigos, de Bugre, na frente da casa do Sergei e fica berrando "Sergei, cadê você, eu vim aqui só pra te ver." Depois de já haver DISCUTIDO com aquele ser num barzinho! E também é dessas pessoas que riem das coisas mais sem graça e DO NADA fecha a cara e passa uma semana de rabugentisse sem que você saiba o que pode ter causado aquilo. E quando vai descobrir, era simplesmente por que estava chovendo e ele não podia ir jogar bola...
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