Minha relutância em acreditar nos absurdos é um problema crônico. Eles existem e estão o tempo todo me deixando sem palavras, ou ações. Às vezes o óbvio é só o óbvio, por mais absurdo, e, estando ali o tempo todo, tende a ser esquecido. Aquele clichê, completamente inverossímil, é exatamente isso aí. Acho que passo tanto tempo estudando técnicas de roteiro, analisando narrativas e vendo teorias se confirmarem, que acabei perdendo o tato para esse caos, mais estranho que a ficção, chamado realidade. Então, por mais que eu aguarde pacientemente por um resultado justo no tribunal da Raínha de Copas, ou espere pelo momento em que William Wallace aparecerá no horizonte pra salvar sua amada, é só isso mesmo. Não adianta florear, enriquecer a psicologia do personagem, procurar pela surpresa. A estrela quer ser bajulada. O artista depende de aplausos. O filho caçula está acostumado a ter o mimo de todos. O professor não pode admitir que não sabe. O jovem orgulhoso não pode receber críticas. O covarde corre ao primeiro sinal de problemas. O moleque resolve ir embora depois de saber que não terá o esperado. O perfeito se leva a sério demais. O arrogante não tem tempo para ouvir você. O conquistadorzinho não quer ser seu amigo. O frio e calculista não sente nada, por isso não demonstra. O interesseiro não se interessa por você. E tudo se resume a sexo, mentiras e egoísmo. Mais uma vez.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
"Forjados na rejeição."
Chega uma hora em que a vida te esfrega na cara algo que você já sabe muito bem, só finge que não: nada é estático. Tudo está o tempo todo desabando. Leva tempo, mas você acostuma. E acaba ficando tão imerso nos escombros que cada vez é mais difícil sair. Então aprende a viver assim. Cria raízes nos escombros, deixa suas flores nascerem nos escombros, seus frutos caírem nos escombros e pedaços de você vão se espalhando pelos escombros num ciclo vicioso.
Quando tudo é caos a única coisa certa parece ser deitar e dormir. E mesmo assim, às vezes, você erra.
Quando tudo é caos a única coisa certa parece ser deitar e dormir. E mesmo assim, às vezes, você erra.
Fé em absolutamente nada, nem em si mesmo. Afinal, quando se tem a marca da rejeição tão funda na carne, não dá nem para acreditar na própria luz. Por isso você aprende a enxergar com cinismo todas as relações e instituições, onde é mais importante ser político do que ser sincero. Aprende a viver na penumbra, nos intervalos, na área cinza. Aprende a ler e fazer acordos piratas.
Depois de ouvir tanto não, tanto atentado ao seu amor próprio, acaba entendendo que é assim mesmo. Essa é a vida e esse o nosso mundo. Aprende-se a não confiar. Percebe-se que até mesmo quem está estendendo a mão é um grande dum filho da puta. Você se acostuma a ser rejeitado, a pegar tudo e não devolver nada, deixa de se importar com sentimentos e passa a ser indiferente a tudo e a todos. Mas, caramba, quando se trata de vísceras, de consciência suspensa, de química cerebral, de pele, lá vai você se arrepender de novo!
Daí pra lá a cena é óbvia e a tragédia completa.
Fatalidade
No amor nunca os pratos da balança estão equilibrados. E como a essência do amor é etérea, quem pesa mais é quem ama menos.
Vergílio Ferreira
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Faz tempo, eu sei.
Sensação estranha voltar no blog depois de um tempão e dar de cara com um layout novo que eu nem lembrava mais que havia feito... Minha casa está em obra também e já nem parece mais com a antiga. Mudei. Mas, o endereço é o mesmo.
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