segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Dura lex

Uma vez eu ouvi de uma das pessoas que mais importam para mim, numa situação de despedida: isso não é justo. Acho que algumas pessoas tinham mesmo que receber certas compensações do universo, por suportarem dores que ninguém devia precisar passar... Experiências pesadas demais para qualquer um. Depois delas, tudo devia ser mais suave e feliz. Naquele momento, minha vida passou pela minha cabeça... quase 33 anos... E eu só consegui concordar, com o maior sentimento de impotência: sim, não é mesmo.

E claro que se o universo dependesse de mim, eu nem saberia por onde começar, nem como e por isso, até entendo ele ser essa bagunça que aparentemente é... como se tivesse sido simplesmente largado pra lá... Naquele mesmo ano, alguns meses depois eu estaria lidando com outra situação de despedida, tão intensa, tão grande quanto, dadas as devidas proporções. E também se iniciava a época mais doida e caótica da minha vida. Duas despedidas no mesmo ano... Recomeços grandiosos... Não bastava todas as lições até ali sobre o quanto somos insignificantes diante das leis que regem essa loucura toda e sequer conhecemos.

Mas, dez anos depois... aqui estamos todos outra vez, na virada da maré. E eu só consigo pensar  que depois daqueles 22 anos de peso desnecessário, essa meta já tinha que ter sido batida, sabe? Para que mais  medo, perda, sensação de impotência, vazio, lacunas? Afinal, como acontece com as cólicas mensais, só dói, apenas isso. Serve pra nada. E isso não é justo mesmo.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Marvel Jesus

Sem Internet durante boa parte da tarde, com muitas coisas para resolver e ponderar, até café acabei tomando. Então, sem conexão com a minha equipe de trabalho, acabei lendo algumas coisas e encontrei, por acaso num livro esse parágrafo:

"Eu não fui expulsa dos mutantes, eu fui DEMITIDA. Eu cheguei no estúdio e o Arnaldo e o Sérgio me chamaram em uma sala. Ambos se sentaram na minha frente em uma mesa e eu atrás em outra cadeira. Ali, naquele momento, eles teceram um texto merda de paz e compreensão, mas na verdade era a minha retirada da banda. Eu não estava usando botina de peão de fábrica daqueles que tem ponta de ferro, mas era a mesma coisa. Os dois chefes me demitiram. Eu sou a voz de mais da metade das músicas dos Mutantes mas isso aparentemente não importava para eles. Me afetou? Muito! Saí daquele estúdio cambaleando, entrei no meu Fusca e dirigi por dois quilômetros longe dali, quando resolvi parar. Parei. Saí do carro e chorei aos montes, eu era um lixo escorrendo lágrimas. Não sabia mais o que fazer da minha vida. Achei que os mutantes eram os Mutantes por causa minha, descobri ali que eu era na verdade um produto. Foi tristeza misturada com raiva e desgosto. Esse sentimento me consumiu por meses até eu ter energia de bolar minha carreira solo."

Só quem já passou por algo assim sabe como é se sentir caindo num poço que parece não ter fundo e quando finalmente chegar lá, olhar para o céu. Ninguém devia precisar sentir isso. Especialmente depois de ter feito de tudo para ser o melhor possível, estudar para melhorar e evitar possíveis falhas, aprender coisas novas em tempo recorde, chegar o mais cedo e sair o mais tarde só para que o projeto saia, fazer todos os esforços, doar todo o tempo e energia... Tudo isso, ainda precisando lidar com mais dois empregos, fim de um relacionamento super legal, correria da pipa voada, família louca... Algo assim faz qualquer um questionar se todas as habilidades que parecíamos ter são mesmo reais. Pois, começamos a entrar numa espiral de duvidas a respeito do que sabemos de bom, de nossa utilidade, de nossa relevância, até nosso valor mesmo como pessoa, sabe? Parece que nossa presença nunca fez a menor diferença. E fica ainda pior se a isso se soma toda uma vida do avesso nos mais diversos setores, toda uma história de décadas de inseguranças e experiências que destroem qualquer vestígio de auto apreciação sob qualquer aspecto. Bom que a Rita, pelo menos nesse assunto abordado, se saiu incrivelmente bem. Numa época de tantas desconstruções sem propósito, sem proposições melhores, tanta perda de referências grandiosas e inversão de valores, precisamos desse tipo de história e desse tipo de herói. Não para acreditarmos em perfeição, sacralidade, duendes ou fadas... Nem para transformar todo e qualquer problema da vida em masmorras e dragões, mas para sabermos que existem saídas e é possível derrotá-los.

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quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Presentes de Aniversário

No outro dia, no meu aniversário, acabaram aparecendo pessoas muito queridas, dessas que tenho sempre comigo, das mais altas grifes e por isso mesmo, de baixa manutenção... Um dos requisitos básicos para relacionamentos profundos e reais por aqui. Da maioria eu não tinha notícias há bastante tempo, mas nem por isso deixei de amá-las, considerá-las, lembrar-me delas com carinho, rir de nossas piadas internas, falar sobre nossas aventuras, desejá-las sempre o melhor, torcer por elas... Incluindo aí o autor das Ruelas Eternas, que está fazendo esse enorme favor a todos nós de voltar a escrever por lá.  Não fazem muitas semanas quando cheguei a comentar sobre o Anonimato Diário, do mesmo autor... Deixo aqui registrado inclusive o desejo de que aqueles relatos ganhem fôlego para serem retomados também!

Mas, o retorno a todos esses lugares - pessoas são lugares, mundos inteiros - num só dia, no meu aniversário, acabou resgatando sentimentos, esperanças, alegrias, gargalhadas e possibilidades antigas que andavam escondidas em mim. E talvez, nenhum dos amigos saiba disso, mas, apesar da bagunça que ainda está aqui dentro, suas presenças, suas palavras... me recuperaram motivações e esperanças adormecidas também. Agradeço demais por isso!

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Mão de Faca

Ora, ora... Olha só quem saiu da camarinha... Não estou com tempo nem para respirar. O estúdio está a mil. Projetos pessoais de Ilustração, Música, Escultura, Artesanato, Caligrafia... mil coisas, pessoas, acontecimentos e compromissos preenchendo minha cabeça dia e noite. Não tem sobrado muito tempo para essa parte também muito cara, a Escrita! Então, voltei apenas para anotar duas coisas e consolar os fãs sobre uma terceira. Se não, tudo vai acontecendo e depois quando eu quiser ordenar as idéias ficam emboladas como fios de fones de ouvido ou pisca-pisca... Uma aconteceu hoje, infelizmente. A Ialorixá que zelava pela casa de onde vim, voltou para junto de seus guias e guardiões. Infelizmente, só porque ela foi uma pessoa rica em muitos aspectos, esse tipo de coisa sempre me interessa. Perder a riqueza que alguém é, as informações, experiências e possibilidades incluídas aí, pra quem fica, acaba mesmo sendo uma enorme perda. Aguardo notícias sobre o Omolofú ainda. Mas, tenho certeza que para ela o caminho está iluminado, protegido e voltará a contribuir, aprender... seguirá com seus passos de crescimento e não tem como isso ser algo ruim. 
 
A outra coisa aconteceu no início do mês. Ainda não tenho opinião formada, mas foi mais um degrau dentro do meu desenvolvimento sacerdotal. Há um brilho de faca... Faca consagrada! Mais uma guia, mais responsabilidades, mais possibilidades de ajudar se precisarem de mim... E de devolver presentes indesejados, se for o caso. Aconteceram tantas coisas, de tantos tipos e lados... Nunca vivi um resguardo tão intenso. Nunca passei por uma obrigação tão difícil. Então, ainda estou processando, sem muito para traduzir por enquanto. 
 
A terceira coisa, bem, nem tem assim tanta importância, pelo menos para mim. De verdade não tem. Na minha cabeça, a tampa desse caixão foi fechada no final do ano passado. Mas, olha como são as coisas... Quase um ano depois, percebi hoje, por acaso, algo reverberando desta direção. E, nem é por sentir assim tanta vontade de escrever a respeito, é mais porque estou com uma forte impressão de que se eu falar sobre isso, pode confortar vocês, meus fãs, que estão sempre a espreita, seguindo meus passos, tentando encontrar um sinal, uma desculpa e por isso mesmo, sentindo-se tão frustrados até agora. Tenho percebido os olhinhos espreitando na escuridão.  Mais de dois, inclusive. Cultivar uma vida espiritual tem as suas vantagens. Por outro lado, existem coisas que só é melhor ouvir do que ser surdo. Quer dizer, eu mal tenho tempo para respirar. Do ano passado para cá, coisas diversas, diria até, coisas demais, ocupam minha mente, meu coração, minha atenção, meu tempo, demandam minha energia... E então, enquanto estou emaranhada aqui na bagunça de teclas, fios, pincéis e tintas, chegam até mim, essas notícias de gente que eu sequer lembro da existência, ainda se incomodando comigo... ainda se interessando pela minha vida... ainda seguindo meus passos... ainda se inspirando e invejando o que faço... ainda se preocupando... ainda nisso... E aí, eu sinto um alívio enorme de lembrar que, apesar da dor que a trapaça e a ingratidão podem causar, eu tenho quem olhe por mim e por isso, fui livrada de um contexto que em nada me trouxe algo de bom. E quando eu entendi isso, zerou no meu espírito toda e qualquer negatividade a respeito. Fechou ali. Três dias de tristeza e fim. Porque, sabe, a Seres do Lodo Network é uma realidade apesar de sempre me surpreender. Doentes se unem a doentes, e pra eles não há mesmo cura! Me restou desistir de qualquer tentativa de solução feliz, para o meu próprio bem e há muito tempo. Mas, venho aqui, num ato de boa vontade, dizer para vocês que me perseguem, que se importam tanto com o que penso, que se sentem enciumados, que acham que estão em algum tipo de competição comigo (HAHAHAHA!), que enviam suas piores vibrações e continuam agindo das formas mais covardes, burras, infantis e mentirosas possíveis contra mim, que me sinto muito lisonjeada por saber que sou tão importante ao ponto de ser o assunto principal entre vocês! O pomo da discórdia. O axis que faz o mundo de vocês girar. Mas, relaxem, sabe? Sem qualquer sentimento ruim da minha parte. Do fundo da minha alma, nem lembro de vocês. Tenho mais o que fazer por aqui, com minhas dores e alegrias, com a minha vida recheada de experiências enriquecedoras e pessoas das mais preciosas. Não percam seu tempo, sua alegria... momentos que poderiam ser legais, de amor e carinho... desperdiçando falando, fazendo ou sentindo qualquer tipo de mal contra mim. Primeiro porque só faz mal pra vocês mesmos, podem acreditar. O domo de ferro aqui é reforçado. Nada que possam fazer contra mim, irá me fazer cócegas. Depois que... prometo, se acontecer de em algum momento, como esse agora, eu voltar a pensar em vocês, será apenas para desejar tudo de melhor, que sejam muito felizes!

Porque gente feliz não enche o saco.

Cresçam.

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Desfibrilador

Nesses dias estranhos, de estranhas sensações e estômago revirado, ansiedade e saco cheio demais... acabei lembrando da Grande Família. E é só isso que tenho para dizer depois de todos esses meses sem tempo para as minhas reflexões vespertinas. Se tem algo que nos levanta para irmos viver e nos recusarmos à derrota é isso. Sem mais.