quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Espiral

Entrei por uma estrada... Mas por que diabos não venho escrever quando as idéias estão claras? Tem um pântano. Isso com certeza. E eu estava com medo, muito medo, hoje. Chovia bastante de manhã. Ainda era madrugada. Tentei sair pelo portão. Colocaram um rio ali. Saí pela frente mesmo. Muito escuro. Um monte de árvores caídas e sinais de que o vento passou um pouco rápido demais por certas passagens. O café com jornal acabou. Na segunda foi o último. É de cortar o coração. Tá tudo nublado. Cinza. E a sorte é que resolvi sentar e escrever. Cada dia cai um pedacinho. E o eclipse aconteceu quando a minha Lua estava em Aquário. Então, era de se imaginar... O quão fundo se pode chegar? Continuar com uma tristeza tão grande assim... E terminar com algo ainda maior que isso?! Onde está o duplo? Tenho pensado no Abramelin, porque me parece mais fácil do que conseguir lembrar de alguma vez que senti paz, alegria ou amor. Mal consigo ver as letras. Aceitaria ajuda, eu acho. Minha mão treme tanto, não enxergo direito. Tá tudo embaçado, a cara toda molhada. De novo. Isso é ridículo. É totalmente inaceitável. Mas é exatamente assim que tá. Eu tirei O Mago. Tinha perguntado onde estava a solução... E tem tantas interpretações... Tô cansada de pensar. Uma patinha de gato tá encostando no meu ombro. Espero agora por uma chuva que não cai. Talvez a noite. O importante é o recreio. Ensinar a quem não quer aprender... Pensam tanto na pressão sobre os pobres jovens. Mal se mede o peso que jogam em quem precisa ensinar. Mal se mede as palavras. E aí chega setembro... Aquela hipocrisia amarela de sempre. Não vai dar pra continuar isso por muito tempo... Nenhum Médici por aí, não? Tenho que recortar ainda mais a idéia, ler um monte de coisas e fazer uma prova, se quiser ser mestre. Títulos... coisas mais bestas... Fui convidada para participar de um negócio grande, mas tem que pagar. Ainda não sei quanto. De repente eu posso, sei lá. Tantos sentidos... Vou para outro lugar. Vai ter uma hora em que isso vai acontecer. Entrei por uma estrada... Não queria conhecer tanto quem conheço. Ou conheci. Com certeza eu gostaria mais de todo mundo. Libra com Sol, Júpiter, Saturno, Plutão e Mercúrio retrógrado, todos confinados dentro do ascendente interceptado. Olha isso! Pelo menos o meio do céu ficou em Gêmeos e escapei de Câncer numa casa angular. Só faltava essa. Que bagunça. Os livros. A casa. As nuvens. Desanuviar... A Chama Vermelha é a chama negra, mas venta demais, quase apaga. Por que tive que cair logo nesse time? Esperança. Quase. Tem tanta coisa pra fazer... 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Silêncio

Furuike ya                                                                                                 The old pond
kawazu tobikomu                                                                             A frog jumps in
mizu no oto                                                                                                          Plop!

Matsuo Basho

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Piores sensações

Pisar num animal sem querer.
Ansiedade na véspera de um evento importante.
Garganta inflamada no dia do show.
Pagar por comida ruim.
Perder a voz.
Se machucar e ficar impedida de fazer coisas simples.
Comer a fruta cristalizada que é amarga no panetone.
Esquecer uma idéia.
Pressa de acabar.
Falta de tempo.
Comer pensando que é azeitona, e constatar que é pimentão.
Sofrer preconceito, incompreensão e desrespeito.
Impotência diante de injustiça.
Medo de começar.
Não saber como resolver um problema.
Cartão bloqueado.
Vergonha alheia.
Não conseguir entender.
Ser enganada.
Tempo perdido.
Vontade de morrer.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Never gone

"Your head is humming and it won't go 
In case you don't know 
The piper is calling you to join him."

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Escravos de Jó

São 21:32h e estou ouvindo passarinhos lá fora. As coisas estão tão confusas... Sempre houveram os ladrões. De dinheiro, de bens, de saúde, de tempo... Sempre houveram trapaceiros. Sempre houveram e haverão os falastrões. Com suas línguas compridas e pouca atitude real. Desde que existe o Homem existe mentira, histórias bem e mal contadas, manipulação, idéias totalmente equivocadas. A ordem é uma mera ilusão momentânea... Assim como o caos. O equilíbrio nunca esteve nos extremos. Mas, como falar a ouvidos surdos de histeria? Como mostrar qualquer coisa a olhos tendenciosos de paranoia? E como ouvir e enxergar nesse mar de balbúrdia desesperada e arrogante?

Sei lá, acho que a falta de sentido sempre esteve aí. Passarinhos às vezes cantam a noite. Pode fazer frio em dias de primavera quase verão. Alguém que você respeita e admira acima de todas as outras pessoas pode considerar você desmerecedor de uma explicação para o que há de errado e simplesmente mandá-lo se foder. Adolescentes podem resolver se achar de igual para igual com alguém que tem o dobro mais sete anos a idade deles... Ou, talvez as máquinas tenham mesmo finalmente se rebelado, a epidemia zumbi se espalhado, a sétima trombeta do apocalipse já tenha tocado e a terceira guerra mundial tenha sido anunciada sim. E eu só estou cansada demais hoje, só tive um dia ruim demais para ter me dado conta. 

Mas, na quarta passada já havia sido ruim. Ontem também. Na verdade, quando não foi ruim? Na maior parte do tempo tudo apenas desmorona enquanto a gente empilha de volta. Pode ter gente de mãos dadas, pirracenta e resistente... Alheios totalmente que àquilo que se resiste persiste. Prestando uma atenção total e fulminante agora a fatos e atitudes que por décadas passavam direto. Uma barbárie e um assistencialismo mal intencionado sem controle. A questão é que no fundo, no meio do mimimi ou acompanhando a boiada que aplaude o próximo salvador da pátria, se você olhar bem, estamos simplesmente todos sozinhos e a mercê dos mais espertos, como sempre. Mudar e não mudar, de vez em quando, parece significar a mesma coisa.